Rio embarga obra que expandia mansão de família de bicheiro na Ilha Grande

Filha do contraventor Castor de Andrade será multada em R$ 1 milhão. Obra desmatou área de Mata Atlântica

iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Secretaria do Ambiente
Mansão fica na enseada do Saco do Céu, na Ilha Grande
A Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro embargou nesta quarta-feira (31) obra que era realizada para ampliar a área da propriedade do espólio do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997, e administrada por sua filha, Carmen Lúcia de Andrade, na enseada do Saco do Céu, em Ilha Grande, no litoral sul fluminense.

Para expandir a mansão, foi desmatada uma grande área de Mata Atlântica além de aterrar mangue, o que configura crime ambiental. A filha do contraventor será multada em até R$ 1 milhão além de responder criminalmente.

Coordenada pela Cicca (Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais), da Secretaria de Estado do Ambiente, a ação teve apoio de fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Batalhão de Polícia Florestal e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).

“Para expandir a mansão, a proprietária desmatou cinco hectares de Mata Atlântica. Além disso, ela estava aterrando área de mangue para expandir a propriedade. Levantamento da polícia revela que a intenção era construir ali um hotel ou até mesmo um cassino”, explicou José Maurício Padrone, chefe da Cicca.

Para não levantar suspeita, os criminosos atuavam na obra durante a madrugada. Mas, na noite desta terça-feira, eles fizeram queimadas no local, o que chamou a atenção dos fiscais que atuam no Parque Estadual de Ilha Grande.

“Imediatamente mobilizamos as equipes e fomos ao local. Constatamos que, só na noite de ontem, foi desmatado um hectare de vegetação. Carmem Lúcia, filha do contraventor, vai responder por crime ambiental em inquérito instaurado pelo delegado da Delegacia do Meio Ambiente e por ser reincidente, vai receber multa que pode chegar a R$ 1 milhão por transgressão à Lei 3467/2000 por vários crimes ambientais, dentre eles, suprimir vegetação de Mata Atlântica e de mangue, fazer movimentação de terra, cortando morro e aterrando o mangue com o material e por ter cometido a infração à noite e por reincidência de delitos de natureza ambiental”, explicou Padrone.

Histórico

Não é a primeira vez que a filha do contraventor Castor de Andrade é multada e processada por desmatamento e construção irregular. No ano passado, ela já recebera multa pela prática desse tipo de delito.

Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a mansão do bicheiro Castor de Andrade fora construída na enseada do Saco do Céu anterior à criação da APA (Área de Proteção Ambiental) Tamoio, em 1994 e que o Estado pode efetuar o embargo administrativo ambiental, mas a demolição vai depender de ação judicial. Entretanto, a secretaria pode realizar a demolição de habitações em construção nas áreas protegidas

“Estamos realizando várias blitzes para coibir essa prática na Região da Costa Verde, onde já demolimos cerca de 30 construções irregulares”, acrescentou Minc.

O Parque Estadual da Ilha Grande (Peig) é o segundo maior parque insular do Brasil, abrangendo mais da metade da área da Ilha Grande. A importância do seu ecossistema fez com que a ilha fosse reconhecida pela Unesco como parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, em 1992.

Criado em 1971 com 15 mil hectares, o parque acabou reduzido para 5.600 hectares em 1978. Mas, em fevereiro de 2007, pelo Decreto Estadual 40.602/2007, a área do parque foi ampliada para 12.052 hectares (120,52 quilômetros quadrados), passando a abranger 62,5% da superfície da Ilha Grande, no município de Angra dos Reis. Ainda em 2007, a Ilha Grande foi eleita uma das sete maravilhas do Estado do Rio de Janeiro.

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