Retrato falado não é igualzinho à pessoa, diz especialista

Desenhista da Core faz no computador e no papel simulação de descrição do governador do Rio, Sérgio Cabral

iG Rio de Janeiro |

Fabrizia Granatieri
Setor de retratos falados, na Core, produz de 700 a mil desenhos por ano. Na foto, o inicio do retrato do governador Sérgio Cabral
A história de que hoje retrato falado é todo feito no computador é balela, diz o inspetor Sérgio, especialista em retratos falados, policial há 20 anos, 17 no setor. "Precisamos ter capacidade de fazer tudo na mão. A máquina falha, pode dar pico de luz. E nenhum retrato é feito 100% na máquina. É 50% o software e 50% na mão. Sempre usa. É assim para envelhecer, rejuvenecer, pôr mais cabelo, cicatriz, bigodinho, barba...", explica.

Outro mito é o de que o retrato falado é igualzinho à pessoa procurada. "Não sai a pessoa, sai alguém que a lembre, tenha características e se pareça com ela. É basicamente para eliminar suspeitos e restringir a procura pelo criminoso. Se o cara tem 1,80m, olhos claros e cabelo castanho, se tinha mil suspeitos, já cai para 100, porque elimina o negro, o mulato, o cara de 1,65m, 1,70m... É uma importante ferramenta e, muitas vezes, a primeira. Mas sempre precisa ter o reconhecimento da testemunha", diz.

Os seis desenhistas policiais da seção fazem entre 700 e mil retratos por ano. Quando a testemunha chega, responde aos quesitos básicos do cabeçalho da moldura do desenho: sexo, cor, idade aproximada, altura, tipo e cor de cabelo, cor dos olhos. A partir daí vai sendo conduzida pelo policial com base nos tipos de olhos, bocas, sobracelhas, cabelos, formato de rosto e rugas disponíveis no software Faces, usado pela Polícia Civil.

Fabrizia Granatieri
Retrato falado do governador Sérgio Cabral, feito em cerca de 25 minutos, no computador, com retoques de policial. Meta é ter características que lembrem a pessoa
“Tentamos aproximar a lápis a descrição que a pessoa faz. Se eu errar, é porque ela passou a informação imprecisa...” brinca.

A seção de retratos falados fez um desenho do governador Sérgio Cabral, a partir da descrição do repórter. Cabelos escuros com entradas na testa, sobrancelhas grossas, marcas de expressão, bochechas grandes...

“[O desenho] Não está longe. Se fosse você deixava de ser suspeito. O governador ficava para reconhecimento", concluiu Sérgio, em tom de brincadeira.

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