"Quero saber de rock'n'roll", diz Yan, sobrevivente de Realengo

Adolescente de 13 anos foi atingido no braço. Recuperado, ele já voltou à escola e diz que se esforça para ser médico

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Léo Ramos
Yan afirma que tragédia passou e não quer pensar no passado
Yan Bruno Oliveira Passos, 13 anos, não parece um adolescente que se recupera de um forte trauma. O sorriso está sempre aberto. O humor é invejável. “Quando nos encontramos no hospital ele falou: ‘qual é, muleque, tu tá aí?’”, relembra o primo Jhonatan Oliveira nos Santos , 14 anos, que também foi atingido no massacre de Realengo. De volta à rotina, Yan já retornou à sala de aula e faz planos para o futuro. O passado, ele diz, “passou”. O jovem quer ser médico. “Pediatra, para cuidar de crianças”.

O adolescente mora com os avós maternos, Jovelina e Antenor Rodrigues dos Santos no mesmo bairro em que estuda. Por conta de uma tragédia anterior à da escola Tasso da Silveira , ele chama o avô e o tio Rômulo Oliveira dos Santos, 39 anos, de pai. Nada parece abalar a alegria do menino. “Sou que nem meu tio, gosto de rock’n’roll. Desde que saí do hospital tenho ouvido rock e jogado vídeo game”.

nullYan dedica horas e horas a jogos violentos como Grand Theft Auto, mais conhecido como GTA (o jogador pode roubar carros e cometer outros crimes munido de pistolas, metralhadoras e lança-mísseis). “Não gosto desses jogos não, mas sabe como são esses meninos, né..?.”, reclama a avó Jovelina. Quando o assunto é música, ele declara ser fã de rock pesado. “Gosto de Linkin Park e Offspring. Sou roqueiro mesmo”, diverte-se.

Yan não quer trocar de escola

No dia 7 de abril, Yan foi um dos últimos alunos a escapar da sala 4, onde ocorreu um dos ataques do assassino Wellington Menezes de Oliveira. “A ficha demorou a cair, não entendi direito quando ele entrou e fez os disparos”, conta o jovem. “Quando a ficha caiu tentei me proteger. Estava nos fundos da sala e decidi fugir quando ele parou para recarregar os revólveres. Mas foi tudo muito rápido, ele conseguiu acertar meu braço”, relata.

O tiro provocou uma fratura exposta no braço esquerdo de Yan, hoje marcado por algumas cicatrizes. “Mas já está bom”, ele afirma. Contudo, as dores são inevitáveis. “Fui para a escola, mas na hora do recreio a gente acaba se esbarrando, e quando isso acontece meu braço dói. Acho que ainda terei de ficar mais um tempinho em repouso”, pondera.

Yan não quer deixar a escola Tasso da Silveira. “A gente não pensa nisso, aquela escola é boa. Nosso esforço é para superar esse trauma”, diz a avó Jovelina. “Conheci o Wellington. Eu e meu marido. Vimos aquele menino crescer. Que história triste, é uma dor muito grande. A família dele era boa. A gente soube do dia que dona Nicéia o adotou”, relata.

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