"Quer morrer? Não? Então passa tudo o que tiver", ouviu dentista

Mulher conta ao iG que foi ameaçada pelos criminosos, em arrastão na zona sul, na noite de domingo (21)

Fábio Grellet, especial para o iG |

A dentista Patrícia Pol, de 41 anos, seguia com três amigos para uma festa de aniversário, às 19h30 de ontem, quando foi vítima de um arrastão. "Pensei que iria me divertir, acabei tendo só preocupações", lamenta.

Patrícia dirigia seu Fiat Uno pela rua Bogari, uma ladeira nas imediações da Fonte da Saudade, na Lagoa (zona sul do Rio), quando o carro da frente parou. “Desceram quatro homens, e primeiro achei que eles estavam discutindo. Comecei a dar ré no carro, mas, quando vi que cada um tinha uma arma, desisti.

Logo um deles apontou uma pistola para mim e ordenou que eu saísse do carro”, contou a dentista. “Eu e os três amigos descemos e tivemos que entregar todos os pertences: bolsa, carteira, jóias, relógios, celulares. Eles pegaram a chave do carro também e fugiram correndo. Dois deles abordaram o carro que estava na frente do meu e assaltaram os dois ocupantes. Depois, fugiram com o mesmo Civic com que haviam chegado”, disse Patrícia.

“Eles aparentavam ter uns 20, 25 anos, eram bem truculentos e tinham pistolas e até uma submetralhadora. Perguntavam: ‘Quer morrer? Não? Então passa tudo o que tiver’. No começo temi que atirassem, mas depois percebi que precisava ter calma”, afirmou.

Como os criminosos roubaram a chave de seu Uno e a dentista não dispõe da reserva, ela não havia conseguido levar o carro para casa até as 16h de hoje. “Manobrei o Uno, mesmo desligado, estacionei e deixei trancado. Agora estou esperando o chaveiro”, contou.

Patrícia mora numa rua vizinha, chamada Maria Eugênia, e nunca havia sido vítima de arrastão. “Ali também é comum roubarem carros, mas agora tem uma patrulha fixa da PM. Quando a viatura sair, os assaltos vão continuar”, aposta.

O outro veículo assaltado ontem era conduzido por uma moça que saía do prédio onde mora, na própria rua Bogari. Ela estava com o namorado e teve uma corrente arrancada violentamente do pescoço, segundo testemunhas. Também foram roubados carteiras, relógios e celulares do casal.

A menos de cinco metros do local onde o arrastão ocorreu existe uma guarita, usada por vigias da rua, que não trabalham armados. Ontem, quando a ação criminosa começou, o vigia estava fora da guarita e inicialmente passou despercebido pelos bandidos.

“Eles só viram o vigilante depois, quando estavam saindo. Aí abriram o vidro e apontaram uma submetralhadora para ele. O vigia teve que pular um muro de uma casa para não ser baleado”, conta Luciano Maranhão Lobo, 40 anos, outro vigia da rua, que não presenciou o arrastão mas conversou com o colega, hoje.

Quarto arrastão

Segundo o vigia Lobo, o arrastão deste domingo foi o quarto ocorrido na rua Bogari em quatro meses. “O primeiro foi o que teve mais vítimas, umas oito. No terceiro eu estava trabalhando e, depois de assaltarem dois motoristas, os bandidos apontaram uma pistola para mim. Me falaram para ficar quietinho e fugiram”, conta o vigia.

Segundo ele, o policiamento na rua só mudou após o segundo arrastão. “Colocaram uma viatura da polícia parada aqui, e ela permaneceu fixa por uns 15 dias. Mas logo que saiu, ocorreu o terceiro arrastão”, afirma Lobo.

“Ao longo da rua tem três escolas infantis, até muito próximas [umas das outras], então eles [os bandidos] sabem que a polícia nunca vai iniciar um tiroteio aqui. Quando querem, assaltam mesmo”, diz.

Reforço no policiamento

Por meio da assessoria de imprensa, o comando do 2º Batalhão da PM (Botafogo), responsável pelo policiamento na área onde fica a rua Bogari, afirmou que vai reforçar o patrulhamento na região e que uma viatura voltará a ser mantida fixa nessa via.

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