Quatro pescadores resgatados em Santa Catarina seguem internados

Desaparecidos havia mais de 20 dias, eles beberam a própria urina para sobreviver

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Gilnei Bahence da Silva é amparado por bombeiro ao chegar ao Rio de Janeiro
Quatro dos seis pescadores resgatados na noite da última segunda-feira (27) no litoral de Santa Catarina continuam internados em hospitais da rede municipal do Rio de Janeiro. Um deles, José Cláudio da Conceição Sacramento, de 33 anos, segue em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da capital fluminense, e não tem previsão de alta.

Zenildo de Oliveira Pacheco, de 31 anos, Gilnei Bahence da Silva, de 56, e Leandro Vidal Martins, de 34, estão sendo hidratados nos hospitais Miguel Couto e Salgado Filho e também não têm previsão de alta. Maicon Lima Santos, de 24, e Cristiano Pereira de Souza, de 33, já deixaram o hospital e passam bem.

Os pescadores chegaram ao Rio na tarde desta terça-feira (28) após ficarem mais de 20 dias à deriva em alto-mar. Vindo do Espírito Santo, o grupo deixou o município de Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, em 27 de maio a bordo da embarcação Wiltamar III. No dia 1º de junho, eles começaram a pescar a aproximadamente 90 quilômetros da costa.

Agência O Globo
Mãe chora ao rever o filho Maicon Lima Santos após desembarque no Rio de Janeiro
Os pescadores tinham previsão de retorno para o dia 8 ou 9, mas isso acabou não acontecendo. O último contato com a Marinha havia sido feito no dia 6 de junho. O 1º Comando do Distrito Naval iniciou as buscas no dia 10, quando foi comunicado o desaparecimento .

Um rebocador e um helicóptero foram usados nos trabalhos, mas nada significativo foi encontrado na ocasião. Com o insucesso, as buscas foram suspensas cinco dias depois. A Marinha, no entanto, emitiu um alerta aos navios mercantes pedindo que ficassem de prontidão para um possível resgate dos náufragos.

Na noite da última segunda-feira, o navio mercante de bandeira italiana encontrou a embarcação a cerca de 180 km da costa brasileira, próximo à divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina, a 500 quilômetros do local de saída, em Cabo Frio.

O navio mercante levou os pescadores até a entrada da Baía de Guanabara, no Rio, onde eles foram transferidos para uma embarcação da Capitania dos Portos. Segundos os náufragos, uma pane elétrica danificou o motor e o sistema de comunicação do barco deles, deixando-os à deriva. Ventos e ondas fortes arrastaram a embarcação para o sul do Brasil.

Como os pescadores tinham estoque de comida e bebida para apenas 12 dias de viagem, eles estavam se alimentando de peixes e bebendo a própria urina. A Marinha abriu um inquérito administrativo para apurar as causas do ocorrido.

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