Quarto dia de ataques: 15 morrem e 25 veículos são incendiados

Ataques mobilizam 17.500 policiais militares que prenderam 31 suspeitos nesta quarta-feira

Fábio Grellet, especial para o iG | 24/11/2010 21:46 - Atualizada às 02:10

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No dia mais violento desde o início da onda de ataques no Rio de Janeiro, 15 pessoas morreram e outras duas ficaram feridas, segundo balanço da Polícia Militar divulgado às 23h42 desta quarta-feira. Entre as vítimas fatais três são moradores e os demais são suspeitos de envolvimento com o tráfico.

O boletim da Polícia Militar também indica que criminosos incendiaram 25 veículos, sendo 15 carros, duas vans, sete ônibus e um caminhão. Veja no mapa do iG o local das ocorrências

Operações

As operações policiais prenderam 31 suspeitos e confiscaram 17 armas de porte (pistolas e revólveres), nove fuzis, uma espingarda calibre 12, uma submetralhadora, uma granada e duas bombas caseiras. Dois policiais militares ficaram feridos durante operação na Vila Cruzeiro, na zona norte. Um coquetel molotov atingiu um veículo blindado da PM, que teve um pneu furado.

Desde domingo, segundo a PM, 112 pessoas foram detidas, 47 foram presas e 23 foram mortas.

Para combater os criminosos, a PM promoveu nesta quarta (24) 13 operações de incursão a 27 comunidades situadas na região metropolitana do Rio, segundo informou o porta-voz da instituição, coronel Lima Castro. Mais de mil policiais participaram dessas ações, que devem ter continuidade nos próximos dias.

Ao todo, em patrulhamento e operações especiais, estão mobilizados 17.500 policiais e 1.815 veículos – 1.625 carros e 190 motos. Nesta quinta (25) mais 60 viaturas serão usadas, segundo o porta-voz, e as operações vão continuar.

“Não começamos essa guerra, mas vamos ganhá-la”, afirmou Lima Castro. “Eles (os criminosos) estão drogados, ainda (estão) em momento de êxtase, mas não têm condição de se manter assim por muito tempo nem têm capacidade de repor os homens atingidos”, disse. No final da tarde chegou a circular uma informação, não confirmada, de que o traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, suposto líder de uma facção criminosa do Rio, teria sido gravemente ferido.

“A PM tem capacidade (de enfrentar os criminosos pelo tempo que for preciso). Se necessário, colocamos ainda mais homens nas ruas”, afirmou o policial. Para isso, a solução atual é remanejar para as ruas PMs que desempenham serviços administrativos. Segundo ele, até 7.000 novos policiais devem se integrar à corporação em 2011.

O local mais perigoso nesta quarta (24), segundo avaliação do policial, era a Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na zona norte, onde, durante a tarde, uma emissora de TV flagrou criminosos reunidos com fuzis e outras armas. Essa foi uma das áreas onde ocorreu incursão da PM. “Essa atitude (de se reunir portando armas) não é uma afronta à polícia, mas sim uma tentativa de mudar a política de segurança pública do Estado. Mas ela não vai ser alterada”, afirmou Lima Castro.

Segundo ele, diversas comunidades, entre elas aquelas consideradas mais perigosas, como o Complexo do Alemão, já foram mapeadas pela PM para que sejam ocupadas e posteriormente recebam UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). “Mas não é a PM que define onde ficarão as próximas UPPs, e sim a Secretaria de Segurança”, disse. Mas Lima Castro considera possível que, diante das ações criminosas, a sequência de locais a receberem UPPs seja alterado.

Na tarde de terça (23), o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, prometera uma resposta dura a eventuais novos ataques e reagir com "força dobrada" a criminosos que praticarem novas investidas. Ele afirmou que não era possível garantir que outros incidentes não voltariam a acontecer.

Incêndios

Entre os ataques a veículos promovidos desde a noite de terça (23), três ocorreram em Niterói, dois em São Gonçalo, dois em Belford Roxo, um em Duque de Caxias, um em Nova Iguaçu, um em Cabo Frio, um em Engenheiro Pedreira e nove no município do Rio (um no Recreio dos Bandeirantes, um em Irajá, um em Cavalcante, dois em Santa Cruz, um na Pavuna, um no Jardim América e dois no complexo da Maré).

Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, criminosos incendiaram dois ônibus no bairro de Jardim Redentor.

Na Rodovia Presidente Dutra, na altura do município de Engenheiro Pedreira (Baixada Fluminense), três homens armados pararam um ônibus, por volta das 2h, e obrigaram os passageiros a descer, antes de atear fogo ao coletivo.

Em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, três carros de passeio também foram queimados, dois no bairro do Fonseca e um em São Lourenço.

Em São Gonçalo, município vizinho também na Região Metropolitana, o Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas em um automóvel. O incêndio aconteceu no bairro do Pita. No mesmo município, no bairro da Pedra, populares apagaram nesta madrugada o fogo em outro carro de passeio. Não houve feridos.

Uma van foi incendiada por criminosos pela manhã na Estrada da Urucânia, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. Quatro pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Rocha Faria com queimaduras leves. Segundo a PM, os bandidos embarcaram como se fossem passageiros e começaram a jogar combustível no interior do veículo.

Dois automóveis também foram incendiados na Estrada de Botafogo, em Costa Barros, na zona norte. De acordo com bombeiros de Irajá, suspeitos teriam rendido os motoristas e incendiado os veículos.

Uma cabine da PM na Praça da Emancipação, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) foi alvo de tiros, por volta das 23h30 desta terça (23). Bandidos passaram em um automóvel e abriram fogo, mas não havia policiais no local.

 

 

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