Protesto contra barcas no Rio tem paródia da música "Emoções", de Roberto Carlos

Manifestantes voltaram a reclamar do aumento de 61% nas tarifas. Assista ao vídeo

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Assista ao vídeo:

"Sei tudo o que a barca / É capaz de cobrar / Eu sei, já sofri / Mas não deixo aumentar / Se paguei e se sofri / Sessenta e um por cento aqui”. Foi dessa forma bem-humorada, parodiando a música “ Emoções ”, de Roberto Carlos, que cerca de 100 pessoas realizaram uma manifestação na tarde desta quarta-feira (7) contra o aumento da tarifa das barcas que fazem o trajeto Rio-Niterói. O reajuste de 61 % no preço do bilhete, passando de R$ 2,80 para R$ 4,50, ocorreu no último sábado (3).

Anderson Dezan
"Esse aumento é abusivo", disse Renata, com o bilhete único que fez após o reajuste da tarifa
Formado em sua maioria por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), o grupo iniciou o protesto por volta das 14h na estação Arariboia, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Com cartazes e apitos, os manifestantes gritavam palavras de ordem e fizeram críticas ao governador Sérgio Cabral e ao secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes.

Leia também: Hackers invadem site da concessionária Barcas S/A

Por causa da movimentação, agentes da concessionária Barcas S/A ficaram a postos na entrada da estação em Niterói. No início do protesto, houve uma rápida discussão entre um dos fiscais e um dos manifestantes. A segurança no local também chegou a ser reforçada com aproximadamente dez policiais militares do 12º BPM (Niterói). Mas, com exceção do desentendimento breve ocorrido no início, a manifestação ocorreu em clima pacífico.

Viagem de barca

Por volta das 16h, o grupo deixou Niterói e viajou em uma barca até o Rio de Janeiro. No trajeto, os manifestantes gritaram alguns lemas, como “Mãos ao alto! R$ 4,50 é um assalto" e "Resistir até a tarifa cair”, e voltaram a cantar a paródia da música de Roberto Carlos . Fantasiado do cantor, Felipe Garcez, de 21 anos, um dos líderes do movimento, comandava a cantoria.

Anderson Dezan
"Esse aumento é abusivo", disse Renata, com o bilhete único que fez após o reajuste da tarifa
“Estamos passando um abaixo assinado e já conseguimos cerca de 30 mil assinaturas. Realizamos um protocolo junto ao Ministério Público e queremos uma reunião com o secretário Júlio Lopes. Esse é um movimento relativo às barcas, mas queremos aumentá-lo e transformá-lo em um protesto pelas condições do transporte público no Rio”, disse Garcez.

Ao chegar à estação Praça 15, no centro do Rio, o grupo seguiu para a escadaria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Na casa, deputados votavam a derrubada do veto do governador Sérgio Cabral a uma emenda que obriga a concessionária Barcas S/A a apresentar suas receitas, não só da linha Rio-Niterói, como também as obtidas com os trajetos referentes à Ilha Grande, Ilha do Governador, Paquetá, catamarãs, quiosques existentes nas estações e estacionamentos.

Minutos após ocupar a escadaria da Alerj, o grupo foi informado de que o veto havia caído. A partir de agora, a empresa será obrigada a mostrar as cifras destes outros serviços. Um dos motivos alegados pela concessionária para o aumento da tarifa foi de que havia um rombo em suas receitas. PMs do Batalhão de Choque e do 5º BPM (Praça da Harmonia) chegaram a ser convocados à Alerj para evitar tumultos, mas ficaram pouco tempo no local.

Anderson Dezan
"Esse aumento é abusivo", disse Renata, com o bilhete único que fez após o reajuste da tarifa
Adesão popular

Nas estações do Rio e de Niterói, pessoas demonstravam apoio ao protesto contra o aumento da tarifa das barcas. O universitário Rômulo Braga, de 21 anos, não participava diretamente do manifesto, mas o apoiava. Estudante de História da UFF, o jovem mora no bairro do Méier, na zona norte do Rio, e segue todo dia para Niterói. O caminho conta com uma passagem de ônibus e barca na ida e na volta.

“Com o aumento da tarifa das barcas, gasto agora R$ 14,50 por dia. É muito caro. E esse reajuste não se reflete no serviço. Não mudou nada. Pagamos mais pela mesma coisa. E, quando pegamos a barca depois das 20h, geralmente ainda viajamos na embarcação velha”, reclamou o universitário.

Anderson Dezan
"Esse aumento é abusivo", disse Renata, com o bilhete único que fez após o reajuste da tarifa
A estudante de Letras da UFF, Renata Oliveira, de 29 anos, também mora no Rio, no bairro do Catete, zona sul, e estuda em Niterói. Para ter um gasto menor, a jovem fez o Bilhete Único Intermunicipal . Para os portadores do cartão, a tarifa unitária sai a R$ 3,10 para duas viagens diárias – ida e volta.

“Esse aumento é abusivo. Não segue a inflação e o poder de compra do trabalhador. O atendimento oferecido é precário, enfrento longas filas e venho em pé como sardinha em lata. É humilhante gastar esse valor para o tipo de serviço que oferecem”, avaliou a jovem.

Na estação Praça 15, no Rio, o bancário Gabriel Lopes, de 25 anos, assinava o abaixo-assinado contra o reajuste tarifário. Ele mora em Niterói e trabalha no centro da capital fluminense. “Pego a barca na estação Arariboia todos os dias por volta das 8h30, na hora do rush. Chego a ficar 40 minutos na fila. Aí vem o governo e fala que subsidia parte da passagem com o Bilhete Único Intermunicipal. Esse subsídio vem dos impostos, do nosso bolso também. É lamentável e vergonhoso”, disse.

    Leia tudo sobre: barcas s/abarcasbarca rio-niteróiaumento de tarifa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG