Um dos acusasdos, um oficial de Justiça aposentado, escreveu artigo em jornal dizendo que adultos são vítimas das crianças

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça nove homens acusados de pedofilia e exploração sexual, em Miguel Pereira, no interior do Estado. Cinco dos nove denunciados já estavam presos temporariamente desde o dia 29 de fevereiro e um foi preso dias depois.

Um dos denunciados é o oficial de Justiça aposentado José Evônio D´Ávila, conhecido como David do Arcozelo. Ele é citado pela Promotoria como sendo o autor de um artigo publicado dia 10 de junho de 2011, no Jornal Panorama Regional, no qual defende a revisão da criminalização da pedofilia, alegando que os adultos são as verdadeiras vítimas de menores, responsáveis pela prática de abordagem acintosa e cínica em troca de proveito financeiro.

De acordo com a denúncia, pelo menos cinco crianças e adolescentes, entre 11 e 15 anos, eram vítimas de exploração sexual há quase dois anos. Segundo o promotor de Justiça Sérgio Luís Lopes Pereira, subcoordenador do Gaeco e subscritor da denúncia, as meninas viviam em absoluta miséria, nas proximidades de um lixão, com famílias totalmente desestruturadas. Os acusados aproveitaram-se da situação para violar a dignidade sexual das vítimas. Pelos programas, as meninas recebiam valores entre R$ 20 e R$ 60, além de pequenos presentes como roupas e lanches.

Os outros denunciados são o analista do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) José Eduardo Fortunato. o publicitário Paulo Sérgio Martins Gomes (Paulo do Outdoor), o balconista João Henrique da Silva Cruz, o motorista Pedro Paulo de Carvalho, José Maria da Silva Neto (Zé do Gué ou Didi), o pintor Roberto da Silva Chaves (Beto da Oficina), o militar Felipe Goulart Belo Soares (Canelinha) e o comerciante Marcelo Monteiro Gomes.

 Na última terça-feira (27), a Justiça converteu a prisão temporária em preventiva dos seis primeiros acusados e decretou as prisões de Beto da Oficina e Canelinha. A pedido do Gaeco, também foi deferida a interdição do motel Lagoinha, em bairro de mesmo nome, local onde aconteciam a maioria dos encontros e que era administrado pelo último denunciado.

Carteira metálica

Ainda de acordo com a denúncia, o funcionário do TJ José Eduardo exibia uma carteira com brasão metálico, típica de servidores do Poder Judiciário, para impressionar e intimidar as vítimas e dizendo ser da polícia ou advogado.

Fichas de controle do Motel Lagoinha, apreendidas durante a operação, registram as entradas de José Eduardo e José D’Ávila. A denúncia narra ainda que, no fim do ano passado, uma das vítimas teria sido procurada por um senhor idoso que lhe entregou R$ 550, dizendo estar a mando de José Eduardo. A orientação era para que a jovem prestasse informações falsas à polícia, negando a prática de relações sexuais com ele.

As vítimas foram retiradas das ruas e encaminhadas para uma instituição de acolhimento.

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