Promotoria denuncia dois PMs por morte de pastor em favela do Rio

Crime ocorreu em 2007. Policiais alegaram na época que houve confronto armado

iG Rio de Janeiro |

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou na última sexta-feira (12) o capitão da Polícia Militar Flávio Alves Cardoso e o cabo PM Marcelo Sales de Oliveira pelo crime de homicídio qualificado. De acordo com a Promotoria, os dois são acusados de matar a tiros o pastor evangélico Sinval Barbosa Alves durante patrulhamento na favela Furquim Mendes, no Jardim América, na zona norte da capital, em dezembro de 2007.

A denúncia narra que os dois policiais efetuaram disparos de armas de fogo na direção de moradores da localidade, atingindo o pastor, que conversava com a mulher na rua, próximo a um templo evangélico.
Segundo a acusação, a investigação da 38ª DP (Brás de Pina) desmentiu a versão de confronto armado apresentada pelos policiais.

O relatório do Ministério Público sustenta também que os policiais levaram o corpo da vítima para o Hospital Estadual Getulio Vargas, sob o falso pretexto de prestar socorro, como forma de impedir a realização de perícia no local do crime.

Para proteger parentes da vítima e testemunhas, o Ministério Público requereu à Justiça a decretação de medida cautelar proibindo os denunciados de frequentarem a circunscrição do 16º Batalhão (Olaria, na zona norte) e de manterem qualquer tipo de contato com moradores da comunidade de Furquim Mendes. Requer também a suspensão do exercício da função policial, com a consequente cassação de autorização de porte de arma de fogo.

A denúncia revela que o capitão Flávio Alves já foi denunciado duas vezes por homicídio qualificado no exercício da função policial, estando proibido pela Justiça de frequentar a Cidade Alta, e que o cabo Marcelo Sales foi denunciado outras cinco vezes pela prática de crimes dolosos contra a vida.

A denúncia por crime de homicídio qualificado se deve ao fato de o crime ter sido cometido mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Em caso de condenação, a pena varia de 12 a 30 anos de reclusão.

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