Promotoria denuncia 36 pessoas suspeitas de ligação com o tráfico no RJ

Bando agia no Norte do Estado. Dois advogados estão envolvidos. Integrantes do grupo atuavam de dentro de presídios

iG Rio de Janeiro |

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou nesta quarta-feira (20) 36 pessoas à Justiça por crimes como tráfico de drogas e associação para o tráfico. O grupo atuava no Norte Fluminense.

A denúncia, referente à Operação Mil Grau, foi recebida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes. Dois advogados estão envolvidos mas responderão à ação penal, em liberdade, pelo crime de colaboração com o tráfico na condição de informantes. A Justiça aceitou a acusação e o pedido de prisão preventiva dos suspeitos.

A Operação Mil Grau foi deflagrada no dia 22 de março e contou com a participação da PF (Polícia Federal). Na ocasião, 19 mandados de prisão temporária foram cumpridos, sendo que 14 pessoas já haviam sido presas em flagrante no decorrer da investigação. Foram apreendidos 543 kg de maconha.

Droga vinha de São Paulo

De acordo com a denúncia, a droga – maconha, crack e cocaína – era fornecida a partir de São Paulo para ser distribuída no Norte Fluminense, por cinco grupos diferentes coordenados pelos “sócios” Anderson Pinto Faísca (o Bolão) e Aldemir da Silva Menezes (o Thiago).

A venda do entorpecente era realizada em favelas de Campos e municípios próximos, como Bom Jesus do Itabapoana, Cardoso Moreira, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana e Bom Jesus do Norte (ES).

Os dois advogados foram denunciados por terem alertado os clientes sobre as investigações. Ambos orientaram os criminosos a adotar medidas para se prevenir durante o cometimento dos crimes, extrapolando, no entendimento da Promotoria, o mero exercício da defesa dos clientes.

Dos 34 réus que tiveram a prisão preventiva decretada, apenas dois estão foragidos: o irmão de Bolão e um ex-motorista oficial da Prefeitura de São João da Barra. Em 15 de março, ele utilizou um veículo para transportar cerca de 15 kg de maconha. Após ser interceptado pela polícia, fugiu, descartando a droga no Rio Paraíba do Sul.

Homicídio e roubo

Interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial evidenciaram o envolvimento da quadrilha com o comércio de armas e o planejamento de crimes de homicídio e roubo.

A apreensão de maconha – a maior já feita pela Delegacia de Polícia Federal em Campos dos Goytacazes – ocorreu em um sítio de Bolão, na zona rural campista. Somada ao que já havia sido apreendido ao longo do inquérito, a quantidade de maconha ultrapassa 600 kg.

Durante a operação, buscas também foram realizadas na Cadeia Pública Dalton Crespo de Castro e no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, onde integrantes da quadrilha continuavam a operar o comércio de drogas dentro e fora dos estabelecimentos prisionais. Na Dalton Crespo, foram apreendidos celulares, chips, carregadores, facas artesanais e pequena quantidade de drogas.

Atendendo ao requerimento do Ministério Público, a Justiça determinou o sequestro de bens e do dinheiro dos acusados depositado em 13 contas bancárias.

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