Promotoria denuncia 22 PMs suspeitos de ligação com o tráfico de drogas

Investigações indicam que PMs cobravam propinas de R$ 500 a R$ 10 mil de traficantes de São Gonçalo (RJ)

iG Rio de Janeiro |

Com base em investigações da Polícia Federal, que culminaram na Operação Martelo de Ferro desencadeada nesta sexta-feira (25), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou ao Juízo da 3ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana, 22 policiais militares e mais 24 pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, entre elas uma advogada.

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Também foi decretada a prisão preventiva dos denunciados, além do cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão. Dois PMs, uma advogada e dois traficantes foram presos hoje.

 De acordo com a denúncia, os PMs lotados no 7º BPM (São Gonçalo) são acusados de formação de quadrilha armada para praticar os crimes de concussão, extorsão, extorsão mediante sequestro, peculato, homicídio qualificado, entre outros.

Ainda segundo a denúncia, eles se revezavam no recebimento de dinheiro e vantagens dos traficantes para não reprimir o comércio de drogas no Complexo do Salgueiro. Eles também são acusados de libertar integrantes do tráfico presos em flagrante e de devolver cargas de drogas apreendidas. Nos chamados “arregos”, os PMs cobravam dos traficantes de R$ 500 a R$ 10 mil, dependendo do tipo de extorsão.

Com base na investigação da PF, a Corregedoria da Polícia Militar prendeu recentemente 18 dos policiais denunciados. Três deles têm o mandado de prisão cumprido nesta sexta-feira: Clewton Martins Coelho, Julio Cesar de Azevedo Alves Neto e Marcondes Luciano do Nascimento.

De acordo com o subcoordenador do Gaeco, Daniel Faria Braz, outros dois policiais denunciados, Jovanis Falcão Junior e Carlos Adílio Maciel Santos, são acusados no processo que apura a morte da juíza Patrícia Acioli.

Os fatos apurados na investigação da Polícia Federal revelam a prática de obtenção de valores, armas e drogas dos traficantes, vulgarmente conhecida como “espólio de guerra”. “Tal prática estaria diretamente relacionada à morte da juíza, cuja atuação estaria prejudicando a arrecadação espúria desses policiais”, explicou o Promotor de Justiça.

 Entre os outros acusados está Antonio Ilário Ferreira, vulgo “Rabicó” ou “Coroa”, apontado como o chefe do tráfico do Salgueiro e uma das principais lideranças da maior facção criminosa em atuação no Estado. Preso desde março de 2008, inicialmente no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste, Antonio foi flagrado em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça controlando o tráfico local por meio do telefone ou através do repasse de informações feito pela advogada Diva Gouveia Cunha, cujo mandado de prisão foi cumprido também nesta sexta-feira. Atualmente, Antonio Ilário está custodiado no Presídio Federal em Mossoró/RN.

Outro denunciado é Fábio Alves de Andrade, vulgo “Tatai”, “Panela” ou “Frigideira”, que teria atuação no complexo de favelas da Penha e na comunidade do Turano, na Tijuca. Fábio é apontado como um dos fornecedores de drogas e armas para a quadrilha do Salgueiro. Já Marcelo Hermínio Pereira, vulgo “Magrinho”; Renato Muniz da Costa Freire, vulgo “Renatinho” ou “Acanhado”; e Wallace da Silva Ferreira, vulgo “Jogador”, são apontados como assessores de Antonio Ilário e responsáveis por comandar o tráfico de drogas na ausência do líder da quadrilha.

Os demais denunciados cumpriam funções de gerentes das bocas de fumo, de soldados do tráfico, de “mulas” de transporte das drogas e de informantes da quadrilha. Todos são acusados de tráfico de drogas e de formação de quadrilha para a prática de tráfico.

Participam da operação cerca de 400 policiais, sendo 330 agentes federais. A ação contou com o apoio do Gaeco e da Subsecretaria Estadual de Inteligência.

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