Programa de pacificação em favelas do Rio será avaliado

Segundo comandante das UPPs, avaliação já estava prevista antes das ocorrências no Complexo do Alemão e na Cidade de Deus

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O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Robson Rodrigues, afirmou que todo o programa de pacificação da Polícia Militar do Rio passará por uma avaliação geral na quinta e na sexta-feira na Secretaria de Estado de Segurança. O seminário, segundo ele, estava previsto antes das ocorrências desta semana, na Cidade de Deus e no Complexo do Alemão .

Márcia Foletto / Agência O Globo
Dona de casa levou um tiro de bala de borracha durante o tumulto no Complexo do Alemão
"Vamos fazer uma avaliação não só desses casos, mas de todos os fatores que têm influenciado", disse o coronel no fim da manhã desta terça-feira (6) durante a formatura de 489 PMs que irão trabalhar em UPPs, a maior parte na Mangueira. Rodrigues afirmou que "tudo faz parte de um processo". "Cada evento é um evento e precisa ser estudado, para aprendermos com ele", afirmou.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) participou da formatura e elogiou o trabalho da Força de Pacificação do Exército, no Complexo do Alemão, mas reconheceu que há problemas e "resquícios" de um tempo em que o aparato policial era feito com violência.

"É um processo de educação recíproca entre forças de segurança e comunidade. Estamos dispostos a aprender e os moradores também. Há tanto na comunidade quanto nas forças resquício de aparato violento e da cultura do poder paralelo. São 30, 40 anos em que a polícia só entrava para atirar e ia embora, e a comunidade vivia refém do bandido, seja miliciano ou traficante", disse Cabral.

Menos mortes

Hoje, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou uma estatística que mostra que houve uma redução no número de autos de resistência (mortes em confronto com a polícia) nas chamadas Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs) onde há favelas pacificadas.

As AISPs são regiões do Estado policiadas por um determinado batalhão da PM e por uma ou mais delegacias específicas.

Na AISP 1, que compreende os bairros do Estácio, Catumbi e Santa Teresa, na região central, e que teve as favelas do São Carlos, Zinco, Coroa, Mineira, Fogueteiro, Fallet e Prazeres ocupadas este ano por UPPs, não houve mortes em confronto nos seis primeiros meses de 2011. Em todo o ano passado, houve seis autos de resistência.

Na AISP 6, que reúne os bairros da Tijuca, Maracanã, Grajaú, Vila Isabel, Rio Comprido e Andaraí, na zona norte, e que teve as comunidades do Borel, Formiga, Salgueiro e Casa Branca pacificadas em 2010, houve apenas dois autos de resistência este ano de janeiro a junho. Em todo o ano passado, o número de registros foi de 19.

De acordo com o ISP, na AISP 16, onde estão localizados os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte, que foram ocupados pelo Exército em novembro, além de outras favelas ainda não pacificadas, foram registrados apenas cinco autos de resistência nos seis primeiros meses do ano. Em 2010, o número de ocorrências foi de 29.

Assista ao vídeo sobre o incidente entre moradores e militares no Complexo do Alemão:

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MP vai investigar incidente entre moradores do Alemão e militares da Força de Pacificação

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