Procuradoria vai apurar descontrole em doações no Rio

Helicópteros para transportar doações ficam parados. Procurador irá propor inquérito para apurar responsabilidade pelo desastre

AE |

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O procurador da República em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, Paulo Cezar Barata, afirmou que as doações no município devem ultrapassar o necessário e recomendará à Prefeitura que tenha mais controle, para evitar desvios. Segundo ele, o material doado é entregue sem registro de saída, por exemplo.

 "Há uma comoção nacional, todo mundo está sensibilizado e quer ajudar de alguma forma. Moro em Niterói, em um bairro pequeno, e um supermercado aqui ao lado vai enviar um lote de doações de R$ 10 mil. Em tudo quanto é lugar vai acontecer isso e com certeza se ultrapassará o necessário", disse. Em sua opinião, diante da atual falta de controle, devem "ocorrer desvios" dos donativos.

Inquérito Civil

O procurador também vai propor inquérito civil público para apurar a responsabilidade pelo desastre. "É algo complexo, decorrência do descaso e da omissão por décadas ou séculos. A ocupação (na região serrana) foi irregular, ninguém cumpre a legislação ambiental e a Prefeitura não exige isso".

Em Nova Friburgo, o Ministério Público Federal teme desvio de verbas e superfaturamento na reconstrução. Atingida pelas chuvas, a sede da Procuradoria está fechada no município.

Helicópteros parados

Na manhã de sábado, doações estavam a céu aberto e mal protegidas da chuva persistente em Teresópolis. Enquanto isso, várias aeronaves, incluindo cinco do Exército e outras comandadas pela Força Nacional, estavam paradas no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate.

Local de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o campo virou depósito de água, comida, material de higiene e roupas. Para justificar os helicópteros parados, autoridades do Exército culparam as péssimas condições meteorológicas. Contudo, helicópteros da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros voaram à vontade, ignorando a chuva que caia na manhã.

Comandado pelo experiente piloto Adonis Oliveira, da tropa de elite da polícia, o Caveirão da Polícia Civil fez dois voos para levar mantimentos a pessoas isoladas em Santa Rita e Santana, resgatar idosos e transportar médico, enfermeiros e remédios. No início da tarde, partiu para mais uma missão, carregado de comida, água, remédios e óleo diesel para geradores. Enquanto isso, das cinco aeronaves do Exército, duas só alçaram voo no início da tarde para levar um médico da polícia à Vila Salamaco e resgatar uma jovem doente mental.

Os próprios soldados comentavam na Granja Comary o absurdo de os helicópteros permanecerem parados. Segundo um deles, uma das aeronaves grandes estava havia dois dias sem voar, com toda a tripulação à disposição. Quem também reclamava muito era o engenheiro Antônio José Fusco, de 42 anos, morador da granja. "É inacreditável ver esses helicópteros parados quando há tanta coisa para carregar."

Para tentar agilizar os resgates, à tarde, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito, anunciou a criação do Centro de Coordenação Operacional em Teresópolis. Ninguém mais poderá decolar para a cidade sem autorização do Centro, que será coordenado pela prefeitura. Ex-comandante das Forças Armadas no Haiti, ele ressaltou que o trabalho pode durar meses e é preciso cooperação de todos os setores, incluindo das empresas de água e luz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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