Primo de jovem assassinado coordena fotógrafos em festa

Secretário de Segurança e 15 oficiais da PM dançaram com debutantes em evento promovido por UPP do Morro da Providência

Bruna Fantti, especial para o iG |

Maurício Hora, 41, fotógrafo nascido e criado no Morro da Providência, coordenou cerca de dez fotógrafos amadores de idades entre 8 e 21 anos que documentaram toda a festa . O projeto faz parte da instituição “Favela Arte”, da qual Hora participa ministrando aulas.

Fabrizia Granatieri
Maurício Hora (primeiro a esquerda) e seus alunos de fotografia
Desde o ano passado, a iniciativa ganhou um patrocínio de peso: o renomado fotógrafo francês J.R. que fez em 2008 a exposição “Heroínas” na favela (na qual rostos de mulheres da comunidade ficaram estampados nas paredes das casas de alvenaria) doou para os jovens 20 câmeras fotográficas, avaliadas em R$ 3 mil, cada uma.

Mas o apreço de J.R. pelo projeto de Hora vai além da afinidade profissional. O fotógrafo francês escolheu a comunidade da Providência para a exposição pois se comoveu com o assassinato de três jovens moradores da comunidade - mortos após serem entregues por militares do Exército a supostos traficantes da comunidade do Morro da Mineira, em junho de 2008.

Um desses jovens, Wellington Gonzaga Bastos, era primo de Hora, que se demonstra cético com a instalação da UPP. “Já perdi o número de vezes que vi a Providência ser ocupada. Se seria bom a aproximação da PM como hoje? Claro! Mas todo morador tem receio de se aproximar, pois se eles forem embora pode haver retaliação com a volta do domínio do tráfico”.

    Leia tudo sobre: UPPMorro da Providência

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG