Primeiro dia de ocupação não teve confrontos no RJ

Seis suspeitos foram presos e armas e drogas foram apreendidas

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Nenhum confronto foi registrado nesta quarta-feira durante o primeiro dia de ocupação do Morro do Borel e de mais seis comunidades do bairro da Tijuca para a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da zona norte do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Militar, seis suspeitos foram presos e armas e drogas foram apreendidas.

A operação na Tijuca conta com 250 agentes, sendo 150 do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), 50 do Batalhão de Choque (BPChoque) e 50 do 6º BPM (Tjuca). Além do Morro do Borel, estão ocupados o Morro da Cruz, Morro da Casa Branca, Morro da Formiga, Chácara do Céu, Indiana e Catrambi.

Reuters
Policial participa de ocupação do Morro do Borel, na Tijuca, no Rio de Janeiro

De acordo com o Bope, três homens suspeitos de terem ligação com o tráfico de drogas foram detidos no Borel. No início da manhã, outros três foram presos durante uma fuga ao tentarem invadir um apartamento localizado em um dos acessos ao morro.

Durante o primeiro dia de operação, foram apreendidos papelotes de cocaína, uma pistola, carregadores de armas, munições, rádios portáteis, fardas do Exército, um livro com anotações sobre vendas de entorpecentes e um laptop com fotos do traficante conhecido como Silas Playboy. Ele é tido como o chefe do tráfico de drogas na Chácara do Céu e no Morro da Casa Branca. Todo o material apreendido foi levado para a 19ª DP (Tijuca).

Segundo o comandante-geral da PM, tenente-coronel Mário Sérgio Duarte, aproximadamente 500 policiais irão trabalhar na UPP do Morro do Borel quando ela for inaugurada. Esse será o maior efetivo utilizado desde a criação do modelo de pacificação.

Ocupação

A ocupação do Morro do Borel marca a chegada da UPP a uma favela considerada o quartel-general de um dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho. Preso em janeiro de 1990, Isaías Costa Rodrigues, o “Isaías do Borel”, foi um dos traficantes mais procurados nos anos 80 e, de acordo com a Polícia Civil, ainda dava ordens na favela, mesmo encarcerado no Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas (PR). Escutas telefônicas revelaram que familiares de Isaías repassavam as ordens dele.

“Acho que vai melhorar a nossa segurança. Trabalho aqui há dez anos e isso vai ser bom para o comércio. Nunca fui assaltado, mas os clientes não sentem segurança para vir aqui”, disse um comerciante que trabalha em um dos acessos ao Morro do Borel.

A violência nos acessos à favela deixou marcas. O hipermercado Carrefour, por exemplo, fechou as portas e um colégio estaria de mudança para a Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste

“Aquela área sofreu muito com a presença dos criminosos. Um bairro tão importante, com tantas tradições, que infelizmente teve suas comunidades carentes dominadas pelo poder paralelo”, disse o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. “Setecentos policiais formados estão disponíveis. Todas as comunidades da Tijuca e outras áreas serão pacificadas até o final deste ano”, completou.

UPP

O projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) foi concebido para que o Estado retomasse o controle territorial de comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ou pelas milícias. Atualmente, o modelo está implantado nas favelas Dona Marta, Jardim Batam, Cidade de Deus, Chapéu Mangueira-Babilônia, Cantagalo-Pavão Pavãozinho, Ladeira dos Tabarajaras e Morro da Providência, inaugurada na última segunda-feira.

De acordo com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, até o final de 2010, o Rio irá contabilizar 15 UPPs. Com as novas ocupações, as unidades irão utilizar um efetivo total de 3.850 policiais, beneficiando cerca de 210 mil moradores de 59 comunidades. “Esse programa é da sociedade e vamos entregar para ela. A polícia chegou e vai ficar. Essa é uma política de Estado, não de governo”, declarou Beltrame.

O projeto é ambicioso e tem como metas para o futuro chegar a favelas tidas como quartéis do crime, como os complexos do Alemão e de Manguinhos. “Nós sabemos onde queremos chegar e vamos chegar ao Alemão. Sabemos que a região é complicada, mas temos que cumprir nosso projeto e mostrar os resultados para a sociedade”, disse o secretário, sem fixar prazos.

*com informações da Agência Estado

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