Presidente da Light admite que podem ocorrer novas explosões

Prefeito diz que fato foi "escândalo". Empresa confirma que há 130 pontos de maior risco ainda não preparados para monitoramento

iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Prefeito Eduardo Paes vistoriou local da explosão de câmara subterrânea da Light na manhã deste sábado
Em entrevista coletiva concedida na manhã deste sábado para explicar o incidente em Copacabana que deixou cinco feridos com a explosão de um bueiro , o presidente da Light, Jerson Kelman, reconheceu que novas explosões podem ocorrer em bueiros no Rio. O prefeito Eduardo Paes esteve no local na manhã deste sábado e prometeu punir a empresa, além de intensificar a fiscalização e contratar uma auditoria externa para apurar o caso.

De acordo com a assessoria da Light, a empresa tem 4 mil câmaras subterrâneas e identificou 2 mil como "pontos sensíveis". Após avaliação, foram identificadas 1.170 câmaras como pontos mais sensíveis, em áreas de grande movimento (como Avenida Presidente Vargas, no Centro, Voluntários da Pátria, em Botafogo, e Nossa Senhora de Copacabana). Destas 1.170, 1.040 já receberam reparos e estão prontas para receber um sensor para monitoramento. As restantes, 130, número no qual está incluída a câmera que explodiu em Copacabana na noite de sexta-feira, ainda não estão prontas para receberem os sensores e são os pontos que apresentam maior risco.

Kelman afirmou que a câmara na qual aconteceu o acidente estava no programa de recuperação de equipamentos da empresa que só deve ser concluído no fim do ano. Ele reconheceu que podem ocorrer novos problemas na cidade. "Fomos pegos no contrapé. Isso estava dentro do nosso plano, mas acabou acontecendo o problema antes. O prefeito tem razão de cobrar e pedimos desculpas à população. Vamos acelerar o programa de substuição, será a prioridade número 1", disse.

nullA Avenida Nossa Senhora de Copacabana segue interditada entre as ruas Miguel Lemos e Bolívar, desde a noite de sexta-feira. Para os motoristas que trafegam pela via, o desvio está sendo feito pela rua Miguel Lemos, Avenida Atlântica (sentido Leme) e Rua Barão de Ipanema ou Rua Figueiredo de Magalhães, onde retornam para a Nossa Senhora de Copacabana. Os ônibus que têm a via no intinerário seguem pela Rua Figueiredo de Magalhães.O trânsito está liberado para moradores e carros de emergência. De acordo com a Prefeitura, as vias deverão ser liberadas por volta das 15h deste sábado.

Equipes da CET-Rio, Guarda Municipal, Bombeiros, Light e Seconserva continuam trabalhando no local. Na manhã deste sábado, o prefeito Eduardo Paes e o secretário de conservação, José Carlos Osório, estiveram no local para uma vistoria. Paes afirmou que cobrará os prejuízos da Light, já que terá de ser feito recapeamento do asfalto, além dos danos nas instalações da fornecedora de energia, e que deverá contrarar uma empresa para fazer uma auditoria externa. Ele disse ainda que vai intensificar a fiscalização sobre as concessionárias que utilizam o subsolo da cidade.

"O que aconteceu aqui é um escândalo. Não há multa que pague essa situação. É inaceitável que numa cidade como o Rio aconteça esse tipo de acidente com essa frequência. Hoje foi o limite dessa situação. A Light é responsável e vai pagar pelos seus erros e arcar com o prejuízo daqui. Vamos contratar uma empresa, ou instituição, e, junto com a Rioluz faremos uma auditoria externa. O subsolo é do município e a Light vai ser cobrada", afirmou o prefeito.

De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, quatro dos cinco feridos na explosão, internados no Hospital Miguel Couto, na Zona Sul do Rio, já foram liberados. Um dos feridos foi transferido para o Hospital São Lucas, com traumas no pulso e na testa, além de queimaduras.

Outras explosões já deixaram feridos no Rio
Em 29 de junho de 2010, um casal de americanos foi atingido pela explosão de outro bueiro em Copacabana, na esquina da Rua República do Peru com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. A turista Sarah Nicole Lawry teve 80% do corpo queimado e ficou internada por 68 dias na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio. O marido, David James McLaughlin, teve 30% do corpo queimado no incidente. A explosão foi causada por uma fagulha que entrou em contato com gás. Na ocasião, o secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, se reuniu com representantes da Light e CEG, mas concluiu não haver solução a curto prazo para os bueiros do Rio. Ele afirmou que seriam feitas melhorias e investimentos até 2014.

Em 2011, dois casos aconteceram no Centro do Rio. No dia 22 de fevereiro, pedestres se assustaram ao passarem pela Avenida Rio Branco, por causa da fumaça saindo de um prédio no local. O Corpo de Bombeiros informou, na ocasião, que a fumaça vinha de um bueiro da Light no subsolo do imóvel. Não houve feridos e a Light informou, através de nota, que um defeito em um cabo de baixa tensão causou oscilação de energia e o deslocamento da tampa que dá acesso à rede subterrânea da companhia.

No mesmo dia, um bueiro explodiu também no Centro, na Avenida Presidente Vargas, deixando três prédios e uma agência bancária sem energia. O Detran também foi atingido e o incidente foi provocado por defeito em um cabo de baixa tensão.

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