Presidente da Alerj diz que soltar bombeiros facilitaria o diálogo

Aliado do governador Sérgio Cabral, deputado Paulo Melo defende retomada do diálogo com a categoria

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Márcia Foletto / Agência O Globo
Bombeiros fizeram nova manifestação em frente da Alerj nesta terça-feira
O presidente da Assembleia Legislativa e aliado do governo, Paulo Melo (PMDB), afirmou na tarde desta terça-feira (7) que a libertação dos 439 bombeiros militares presos facilitaria o diálogo. O grupo foi preso pela Polícia Militar no Rio após invadir o quartel-general da corporação, na noite de sexta-feira (3).

 “Se é isso o que estão exigindo, sim (a libertação facilitaria as negociações)”, afirmou Paulo Melo. O deputado que preside a Casa afirmou, porém, que a decisão é do poder Judiciário militar, ao qual cabe analisar o caso.

 Os bombeiros do Rio pedem aumento salarial para obter o piso salarial de R$ 2 mil para a categoria. A libertação dos 439 presos é condição exigida pelo movimento para a retomada das negociações com o governo estadual.

Paulo Melo falou no plenário em defesa do governo e fez um discurso conciliatório, em favor da reabertura do diálogo, em uma demonstração da base governista de que sente a pressão do movimento.

“Vamos buscar soluções. A situação descambou para um lado que ninguém queria, com desdobramento ruim para a sociedade. Como presidente da Alerj, cabe-me buscar o caminho do diálogo”, afirmou Paulo Melo.

Traição

De acordo com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), os manifestantes consideram que “seria uma traição” negociar com o governo enquanto há 439 presos. “A libertação é condição inicial para se negociar”, disse.

O tucano Luiz Paulo Corrêa da Rocha avalia que, embora no atual estágio a soltura dos presos já dependa da Justiça Militar, o governo do Estado pode fazer ingerências para facilitá-la.

“Se o governo se empenhar, é possível que aconteça. Os inquéritos podem transcorrer com os bombeiros soltos. É preciso reduzir a tensão da relação, e isso só vai acontecer com o relaxamento da prisão, para não ocorrer uma miniguerra civil entre bombeiros e policiais, que quase aconteceu”, afirmou Luiz Paulo.

Hoje, os bombeiros anunciaram que não aceitam negociar com o novo comandante-geral da corporação, coronel Sérgio Simões. Os militares continuam acampados em frente da Alerj.

O deputado federal Fernando Francischini (PSDB/PR) entrou com um pedido de liberadade em favor dos bombeiros no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O órgão solicitou informações ao governador fluminense, Sérgio Cabral, sobre a prisão dos militares.

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