Dentista denuncia desvio e é preso. Policial alega ser dono de objetos

Dono de escritório chegou a ser preso por difamação após presenciar possível desvio de CD´s e laptops. Prefeitura apura suspeita de desvios

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

iG Rio de Janeiro
Bombeiros retiram material que é encaminhado para depósitos

Na manhã deste sábado (28), além da expectativa dos parentes que acompanham as buscas aos desaparecidos , pessoas que tinham escritórios nos prédios que caíram se aglomeram na Praça da Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, em busca de materiais e objetos que ficaram entre os escombros.

Antônio Molinaro, de 53 anos, era dono de um consultório de odontologia localizado no quarto andar do edifício Colombo, o segundo a desabar. Ele afirma que viu, na madrugada de ontem, bombeiros desviarem material do local. “Eles pegaram CD,s, DVD´s e vi até laptops. Quando chamei um PM, o policial além de me algemar e levar preso por difamação, disse que o material sujo de entulho era dele”, afirmou Molinaro.

O caso foi registrado na 5 ª DP (Gomes Freire). O PM Fausto José de Moura, que deteve Molinaro, chegou a declarar ao delegado que um dos objetos, um estojo com 38 CD´s visivelmente sujos de entulho, era dele. Molinaro então foi autuado por difamação e já tem o julgamento marcado para o próximo dia 27 de março, no Juizado de Pequenas Causas.

Entretanto, a Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que recebeu denúncias de desvio de material que foi levado para o depósito da Comlurb, localizado na zona portuária, e declarou que já afastou os agentes envolvidos. Por conta disso, todo o material de escritório apreendido entre os escombros está sendo levado para outro depósito, localizado em Duque de Caxias. Não há previsão para que esse material seja liberado.

“Qualquer coisa para mim é de valor. Eu não tinha seguro contra desabamento. Nunca imaginei que isso poderia ocorrer. Parte da minha vida estava alí. Gostaria de pegar qualquer objeto, até mesmo um espelho bucal”, desabafou Molinaro.

O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio e secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, comentou na manhã deste sábado (28) o episódio: “Eu não diria que houve desvio. Mas num cenário de tanto sofrimento se isso aconteceu é realmente lamentável”.

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