`Preço das hortaliças continuará alto¿, dizem supermercados do Rio

Preço de hortaliças subiu após tragédia na Região Serrana; comerciantes começam a recorrer a produtores de SP e MG

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Hélio Motta
Para evitar desabastecimento, a Secretaria Estadual de Agricultura usa 40 máquinas de tração para desobstruir acessos e escoar a produção que restou na região

Semana passada, no auge da tragédia que devastou sete municípios da Região Serrana do Rio, a caixa da alface vendida na Ceasa, a Central de Abastecimento do Estado, chegou a custar R$ 30. Seis dias depois baixou para R$ 10, o que indica que ainda está 100% mais cara em relação ao preço praticado às vésperas dos desastres: R$ 5. Quase todas as lavouras da região, responsável por mais da metade das hortaliças comercializadas na capital, ficaram destruídas.

“Não tem produto para vender, por isso o preço dispara”, diz o vendedor Oswaldo Ribeiro, que há 20 anos mantém uma banca de hortaliças na pedra 2 do pavilhão aberto da Ceasa. “Já tivemos crise de desabastecimento, mas nunca como esta”, ele diz.

O presidente da Ceasa, Mário Domingues, informou que desde segunda-feira (17) os preços começaram a se normalizar porque a produção das lavouras das regiões Norte e Noroeste – que não foi afetada pelas chuvas – está sendo desviada para a capital. Ele afirmou que não há risco de desabastecimento.

Mas a Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Aserj) afirma que apesar das medidas paliativas, os preços devem continuar altos. “O supermercado não faz estoque de hortaliças, a compra é diária. E com a escassez de produtos, estamos tem que importar dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, que não tem mercadoria sobrando”, diz o presidente da entidade, Aylton Fornari. “E, nesses casos, ainda tem o preço do frete. No final, a conta tem que ser dividida com o consumidor”, explica.

Reflexo nas prateleiras

Divulgação/ Secretaria Estadual de Agricultura
Uma das lavouras de Vieira após as chuvas que devastaram a Região Serrana do Rio
Nas prateleiras dos supermercados, o consumidor sente no bolso o reflexo da tragédia. Em uma famosa rede hortifrutícula do Rio – que mantém uma central de abastecimento na cidade de Vieira, a 40 Km de Teresópolis –, o alface que há duas semanas custava R$ 0,99 a unidade, sai agora a R$ 2,49; a couve saltou de R$ 0,89 para R$ 1,99; e o agrião está em falta, mas, se chegar, passará a custar R$ 2,99 em vez dos R$ 0,99 anunciados anteriormente. A rede está trazendo produtos de outro centro de abastecimento que mantém em Minas Gerais.

“Concentramos nossos esforços agora em escoar a produção do que restou no chamado cinturão verde da Região Serrana do Rio. Éramos autosuficientes em folhosos como alface, bertalha, couve, espinafre, rúcula etc. Conforme os problemas vão aparecendo, a solução será buscada”, informa a Secretaria Estadual de Agricultura, em nota.

A secretaria informou que uma força-tarefa foi criada para mapear as áreas atingidas e elaborar um plano de reestruturação das lavouras. Técnicos da Defesa Afropecuária, da Empresa de Extensão Rura, e da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado atuam nestas regiões.

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