Policiais que tentaram levar Nem para DP da Gávea negociavam rendição

Segundo a Polícia Civil, agentes tentavam rendição de Nem há pelo menos dez dias

iG Rio de Janeiro |

A Polícia Civil do Rio de Janeiro esclareceu nesta sexta-feira (11) o episódio envolvendo um delegado e policiais civis que, no dia da prisão do chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, tentaram levar o Toyota onde estava o criminoso para a 15ª DP (Gávea, na zona sul).

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Segundo a corporação, um inspetor da delegacia de Maricá (82ª DP), na região metropolitana, estaria negociando com um advogado há pelo menos dez dias a rendição de Nem. Teria sido combinado entre eles que o traficante se entregaria na 15ª DP.

Na noite da última quarta-feira (9), após PMs do Batalhão de Choque terem abordado um carro onde Nem estava no bairro da Lagoa, na zona sul carioca, um policial que se identificou como titular da delegacia de Maricá e outros agentes chegaram ao local, e tentaram levar o veículo para a 15ª DP, o que não foi aceito pelos PMs.

Segundo o delegado Fernando Veloso, subchefe da Polícia Civil, a possível rendição de Nem aos policiais de Maricá vinha sendo acompanhada pelo Serviço de Inteligência.

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Além da ação dos policiais civis, a prisão de Nem registrou também outra confusão que foi marcada pela presença de um falso cônsul do Congo e tentativa de suborno a PMs.

Após a abordagem dos PMs, um dos quatro homens que estava no carro de Nem disse aos policiais que era cônsul honorário da República Democrática do Congo.

Alegando imunidade diplomática, ele não autorizou a revista no carro. Os policiais militares decidiram, então, acionar a Polícia Federal (PF) e levar o automóvel para a sede da instituição no centro. Um comboio foi montado para acompanhar o veículo, com uma viatura da polícia na frente, outra atrás e uma terceira ao lado.

Já no bairro da Lagoa, próximo ao Cinépolis Lagoon, o motorista que dirigia o Toyota parou. Um homem identificado como Demóstenes, que seria advogado, ofereceu R$ 20 mil aos PMs para que o carro fosse liberado.

Como não foi aceito, o advogado teria feito uma oferta de  R$ 1 milhão. Os PMs também não aceitaram e disseram que todos seguiriam para a sede da PF.

Ainda no bairro da Lagoa, na Avenida Borges de Medeiros, próximo ao Clube Naval, o Toyota parou mais uma vez e os ocupantes disseram que não sairiam mais dali.

A PF foi acionada e os agentes federais revistaram o automóvel. O traficante Nem foi encontrado no porta-malas. Ao seu lado, estavam R$ 60 mil e 50 mil euros, totalizando, aproximadamente, R$ 180 mil.

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