Policiais que balearam juiz devem ser demitidos, diz secretário

Vítima disse que irá entrar com medida judicial contra a polícia

iG Rio de Janeiro |

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quinta-feira (14) que os dois policiais civis que atiraram contra um carro onde estavam um juiz e duas crianças durante uma blitz na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, no último dia 2, devem ser desligados da instituição. “Pelo fato dos policiais estarem em estágio probatório, eles possivelmente serão demitidos”, afirmou.

Ontem, ao analisar a velocidade com que o caso envolvendo o juiz baleado foi resolvido, o chefe de Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, disse que episódios de grande repercussão na mídia têm algumas etapas agilizadas, como a perícia, para diminuir a sensação de insegurança na população.

“Um caso de repercussão normalmente, em qualquer país do mundo, deve ser tratado de uma forma diferenciada porque isso gera uma sensação de insegurança na população, que precisa ter uma resposta muito rápida para que a coisa fique controlada. Diferentemente de um caso de não repercussão”, disse, completando que, de qualquer forma, os mecanismos usados e a transparência são os mesmos.

Para Beltrame, no entanto, todos as ocorrências devem ser tratadas da mesma forma. “O cidadão que paga imposto tem direito a isso. O que muitas vezes pode acontecer é que em função da circunstância, do local, algumas ações sejam mais demoradas, como perícia, oitivas, intimações. Infelizmente no Rio apurar informações em determinado lugar é mais fácil que em outros”.

Medida judicial

O juiz Marcelo Alexandrino deixou na última segunda-feira (11) o hospital após nove dias internado. Ele afirmou que deverá entrar com medida judicial contra a polícia. "Claro que vamos estudar esta medida", disse. Ele ressaltou, no entanto, que sua prioridade no momento é a recuperação do filho e da enteada, também baleados, que permanecem internados.

O menino, de 11 anos, teve perfuração nos dois pulmões e a menina, de 8 anos, foi atingida por uma bala que atravessou estômago, fígado e pulmão. Ambos não correm risco de morte. Eles foram transferidos para um hospital na zona sul do Rio, mas os pais não identificaram a unidade, para evitar assédio da imprensa.

Segundo relato feito pelo juiz no momento dos tiros, os policiais não estavam identificados e por isso foram confundidos com bandidos em uma falsa blitz. Os policiais alegaram que não tiveram treinamento adequado para o uso de armas. Mas a versão foi contestada pelo comando da Polícia Civil, que declarou que eles receberam intenso treinamento.

*com informações da Agência Estado

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