Policiais protegem casa de Wellington em Sepetiba

Ao contrário da casa da família em Realengo, que foi vítima de vândalos, esta está intacta

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

A casa de Sepetiba onde Wellington Menezes de Oliveira passou os últimos seis meses permanece intacta e é escoltada por quatro PMs e dois carros, um em cada lado da rua José Fernandes. O bairro, na zona oeste, se assemelha a uma zona rual, com charretes transportando moradores por ruas de barro e bodes que usam os terrenos das casas como pasto. (Leia as principais notícias sobre o caso)

Os vizinhos se dizem em "estado de choque" com o crime e por descobrirem que havia um assassino nas redondezas. "A casa era do pai adotivo dele, seu Guido, que trabalhava como serralheiro. O pai era uma pessoa muito querida", conta Nadir Alves, proprietária de duas lojas próximas ao imóvel.

Hélio Motta
Pichações existentes lá são anteriores a massacre. Depois disso, casa passou a ser protegida
Marcus Casado, dono de um apiário vizinho, conta que Guido morreu há cerca de cinco anos e que a casa permeneceu fechada até a chegada de Wellington. "Era uma pessoa estranha. Tinha uma barba grande, que chamava a atenção, e sempre usava blusa de manga comprida, mesmo no calor", relata o comerciante. "Mas era um rapaz quieto, na dele. Todos os dias comprava ovos aqui. E refrigerantes também. Às vezes, chegava a levar quatro litros por dia", lembra.

Vizinho de fundos, o assistente de RH Antônio José Nepomuceno relata que não via movimentos na casa de Wellington. "Eu me mudei em setembro e nunca ouvi barulho na casa dele. Nem pessoas circulando pelo terreno", falou Nepomucendo, cuja janela garante uma visão ampla da casa de Wellington. "Foi um susto quando soubemos que o assassino morava aqui. Na frente da casa dele há duas escolas públicas onde estudam cerca de 2 mil alunos. A gente nunca pode imaginar que o perigo mora ao lado, né?", comentou, perplexo.

Hélio Motta
Vista da casa onde Wellington passou os últimos seis meses, em Sepetiba; mato alto e sujeira

Pela janela da casa de Nepomuceno é possível ver detalhes do imóvel onde Wellington viveu os últimos seis meses. No terreno há duas casas. A da frente tem dois andares, enquanto que nos fundos há um pequeno imóvel de apenas um pavimento. O mato está alto e há sujeira espalhada, como restos de roupas, vasos de planta, cobertores e copos plásticos jogados no chão. Partes do imóvel estão apenas no cimento, e em diferentes cantos é possível encontrar infiltração e limo.

Hélio Motta
Bar do Bigode, local onde Wellington comprava quentinhas
Na pensão do Bigode, onde Wellington comprava quentinhas diariamente, o clima de espanto permanecia. "Nunca poderíamos desconfiar. Ela era tranquilo, pagava tudo direitinho. Um horror essa história. Estamos solidários às famílias das vítimas", disse Suely, responsável pelo preparo das refeições.

De acordo com a cozinheira, Wellington não era exigente com o cardápio. "Ele pedia o prato do dia, sem frescuras. O que tinha para comer, ele comia. Nos finais de semana, às vezes, fazia pedido. É o dia em que vendemos frango assado", relata. A refeição no lugar custa R$ 7.

Um fiscal de van que trabalha na esquina do imóvel onde Wellington vivia diz que ele chamava a atenção por onde passava. "A barba grande era incomum. Não falava com ninguém, só o necessário, quando ia comprar alguma coisa. Era reservado até demais", relata.

Uma outra moradora que também trabalha na rua afirma que Wellington cortou a barba há cerca de 15 dias. "Mas como ele era uma pessoa esquisita, ninguém aqui podia suspeitar que aquilo signficaria alguma mudança no seu comportamento. Que história triste", diz.

Em frente à casa de Wellington na rua José Fernandes há uma escola municipal e um Ciep. Chocados com o crime, os alunos afixaram um cartaz no portão com a pergunta "Por quê?" em diferentes idiomas. Um laço preto adornava o protesto, simbolizando o luto dos estudantes.

"Por aqui não se fala em outra coisa. Muita gente perplexa com esse monstro. Em pensar que ele vivia em frente à duas escolas. Poderia ter sido aqui. Uma sensação horrível, ninguém fala em outro assunto", diz um morador.

Hélio Motta
Protesto dos estudantes matriculados na Escola Municipal Felipe Camarão e no Ciep Ministro Marcos Freire, bem em frente à casa de Wellington

- Veja notícia sobre casa onde morava a família em Realengo

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