Polícia vai ouvir mais uma testemunha da morte de jovem em São Gonçalo

Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 anos, foi encontrado na madrugada de segunda com sinais de enforcamento e lesões no crânio

Daniel Gonçalves e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

ARQUIVO PESSOAL
Alexandre Thomé Ivo Rojão, que foi encontrado morto em São Gonçalo
O titular da 72ª DP, Geraldo Assed Estefan, afirmou hoje que vai ouvir mais uma testemunha da morte do adolescente Alexandre Thomé Ivo Rajão, de 14 anos, torturado e assassinado na madrugada de domingo para segunda em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Ontem os três suspeitos de cometerem o crime foram presos e serão apresentados hoje às 11h30. Segundo Estefan, essa testemunha mora perto do local onde o corpo foi encontrado com sinais de tortura e estrangulamento.

Os três jovens suspeitos, identificados como Eric Boa Hora Bedruim, Alan Siqueira Freitas e André Luiz Cruz Souza, todos de 23 anos, negaram a autoria do crime em depoimento. A polícia suspeita que eles façam parte de um grupo de skinheads, que pregam a homofobia. Eles podem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. A pena prevista é de 12 a 30 anos de detenção. “Eles se definiam como skinheads pelas localidades próximas. Era uma denominação que eles mesmos sempre gostavam de falar”, disse o delegado ao iG.


Alexandre estava em uma festa após o último jogo do Brasil com um grupo de amigos quando houve uma briga com outra turma de rapazes. O adolescente foi a delegacia acompanhado dos colegas para registrar queixa por agressão. Eles retornaram para a festa, mas por volta das 2h30, Alexandre teria ido embora sozinho. Ele foi visto pela última vez em um ponto de ônibus no bairro de Mutuá.

Ainda de acordo com o delegado Geraldo Assed Estefan, graças a ligações feitas para o disque-denúncia, chegou-se aos três suspeitos a partir de uma informação anônima da placa de um carro que estava no local em que foi encontrado o corpo no dia do crime. Pelo carro, os policiais chegaram ao grupo de amigos. Alexandre teria sido seqüestrado no ponto de ônibus. Pelo laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), Alexandre foi espancado, torturado e morto por estrangulamento duas horas depois.

Mãe do jovem está inconsolável

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Alexandre foi torturado e estrangulado, segundo a polícia
A polícia prendeu os três suspeitos nesta quarta-feira (23). Amigos da vítima também denunciaram que o carro que teria sido usado pelos suspeitos rondou o cemitério na hora do enterro.

Mãe de Alexandre, a assistente administrativa Angélica Vidal, disse à reportagem do iG que não conhecia os rapazes que podem ter matado seu filho. “Já pedi para um técnico vir aqui em casa desmontar o computador e analisar com quem ele falou pela última vez”, contou. O jovem saiu de casa no domingo cedo, vestindo a camisa da seleção brasileira e um short, mesma roupa com a qual foi encontrado na madrugada seguinte.

Segundo informações da polícia, Eric, Alan e André estiveram em um churrasco na casa de uma menina, para assistir ao jogo do Brasil, no domingo. O tio do estudante, Vagner Vidal, contou que uma das meninas presentes à festa teria inventado uma história de que foi agredida por um dos convidados. O trio foi tirar satisfações. Alexandre teria se metido na confusão para defender o rapaz, acusado injustamente. “Após a briga, Alexandre e o amigo foram à delegacia de São Gonçalo para registrar a queixa. Já se passava das 2h da madrugada, quando Alexandre foi para casa, após passar na casa do amigo agredido”, contou Vagner.

Neste momento, Eric, Alan e André teriam abordado Alexandre e sumido com ele. “Só quero justiça. Mataram cruelmente o meu filho, isso não pode ficar impune. Eles são tão cruéis que teve gente que viu o carro suspeito deles circulando o cemitério hoje, mais cedo, na hora do velório”, contou Angélica.

Alexandre estudava no 9º ano da escola College, no bairro da Mangueira, em São Gonçalo. Parentes contam que ele nunca havia se metido em confusão antes. Antes de ir ao churrasco, que aconteceu logo após o jogo do Brasil e Costa do Marfim, pela Copa do Mundo, Alexandre encontrou os amigos na praça Zé Geraldo, no centro do município, onde jovens de sua idade costumam se reunir para conversar. “Uma vizinha o viu e até brincou com ele. Disse: ‘Já está preparado para o jogo? Que bom’. Ele disse: ‘Sim, estou animado’”, relatou a mãe.

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