Polícia que mais morre no país, PM do Rio tem curso com FBI para salvar vidas

Entre 95 e 2010, 1.843 PMs morreram, a maioria na folga. Em 2010, 128 agentes perderam a vida só no estado; em todos os EUA, foram 110

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Polícia que mais morre em serviço no país, a PM do Rio recebe hoje e amanhã treinamento de uma equipe do FBI, polícia federal dos Estados Unidos, em técnicas para diminuir o número de agentes mortos e feridos em serviço ou de folga.

Entre 1995 e 2011, 1.843 policiais militares do Rio morreram em serviço ou de folga de forma violenta. A maior parte desses casos acontece no período de descanso dos agentes, na proporção de uma morte em serviço para cada 4,36 mortes na folga, entre 2006 e 2010.

Para efeito de comparação, em 2010, 128 policiais morreram apenas no Rio de Janeiro; em todos os estados dos EUA, houve 110 mortes de agentes da lei, sendo 65 em acidentes e 45 em confrontos. O Rio tem cerca de 39 mil PMs, e há 940 mil agentes de segurança nos EUA.

“Temos uma estatística preocupante”, admitiu o coronel Luis Castro, responsável pelo setor de estatísticas da PM, referindo-se à situação de violência vivida pelos agentes no Rio.

Entre 2006 e 2010, houve 659 mortes de PMs no Estado (sendo 536 ocorridas nas folgas). De acordo com a polícia, isso ocorre frequentemente quando os agentes estão trabalhando em “bicos”, cansados, sem a proteção de coletes, de colegas e do suporte operacional.

Comparando-se o Rio de Janeiro a São Paulo – estado com a maior Polícia Militar do país, cerca de 100 mil homens –, morreram 123 policiais militares em serviço entre 2006 e 2010 no estado fluminense, e 99 em São Paulo.

“O FBI montou esse curso a pedido da PM. É importante educar e prevenir, fortalecendo o investimento. Nos EUA, boa parte das mortes e ferimentos nos EUA acontece por falta de uso de segurança, por exemplo”, disse David Brassanini, adido civil do FBI no Brasil e organizador do evento.

De acordo com o consultor do FBI Bill Baker, os EUA estudam cada caso de morte de policiais para tentar entender os motivos que levaram a isso, e aplicam um questionário de 22 páginas aos eventuais assassinos ou testemunhas do episódio. O policial americano morto tem, em média, 38 anos de idade e 12 de profissão. Os casos acontecem mais frequentemente aos sábados e entre 22h e 2h.

“Estudamos a história desse agente, vemos se era eficiente ou preguiçoso, seu estado mental, seu preparo físico, as circunstâncias que o levaram a estar naquela situação. Também entrevistamos policiais que conseguiram se salvar em situações difíceis, para ver o que os fez sobreviver quando muitos outros poderiam ter morrido”, explicou Baker.

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