Polícia procura sargento acusado cobrar propina

Se não se entregar até amanhã à noite, policial será considerado foragido

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Depois de a Justiça do Rio ter negado o pedido de prisão dos policiais militares acusados de cobrarem propina do homem que atropelou Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, a Polícia Militar faz buscas por um dos suspeitos. O sargento da PM Marcelo Leal de Souza Martins é procurado para ser avisado oficialmente de que precisa se apresentar até amanhã (domingo, 25) à noite. Se não se entregar neste prazo, será considerado foragido.

Martins e o cabo Marcelo Bigon, que já se apresentou ao 23º Batalhão da Polícia Militar (Leblon), tiveram a prisão administrativa decretada na noite desta sexta-feira pelo comando-geral da PM. A decisão de pedir a prisão foi motivada porque, segundo o depoimento de Roberto Bussamra, pai do jovem que confessou ter atropelado Rafael, "o sargento Marcelo Leal de Souza Martins e o cabo Marcelo Bigon exigiram R$ 10 mil para liberar o carro avariado e sem placa e ainda desfazerem o local do acidente". Roberto Bussamra disse ainda que "recebeu ameaças dos policiais". Horas depois do acidente, na manhã de terça-feira (20), Roberto disse ter entregue R$ 1 mil aos policiais.

A assessoria da Polícia Militar informa que a prisão administrativa deve ser cumprida a partir de 48 horas após o pedido de detenção, feito nesta sexta-feira (23). A detenção deve ser cumprida no Batalhão Especial Prisional, em Benfica. Na segunda-feira (26), a Corregedoria Interna da Polícia Militar vai pedir à auditoria de Justiça Militar que decrete a prisão preventiva dos dois militares. Mesmo que a prisão preventiva não seja decretada, segundo a polícia, os dois militares não retornarão para o serviço de rua.

Juiz negou prisão

A Justiça do Rio negou o pedido de prisão com pelo menos três argumentos. Primeiro: a falta de provas que apontassem a periculosidade dos acusados. Segundo: o fato de os policiais apresentarem bons antecedentes e nenhum arranhão em suas fichas disciplinares. E um ponto contra a testemunha-chave, o pai do rapaz que dirigia o carro: ter colaborado com a polícia somente após ter sabido que se tratava do filho da atriz Cissa Guimarães.

AE
Perícia analisa carro que atropelou e matou filho de Cissa Guimarães

“Por hora, o que se pode afirmar é que a manutenção dos policiais no seio social não acarreta qualquer ameaça que seja à ordem pública, seja a aplicação da lei penal ou seja a oititiva das testemunhas”, cita a decisão do juiz Alberto Fraga, plantonista do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em documento ao qual o iG teve acesso.

Segundo a decisão judicial, o pedido de prisão não consegue convencer a Justiça de que a detenção dos acusados é impressindível. "No que se refere à impressindibilidade da custódia para a conveniência da instrução criminal e preservação das testemunhas, fundamento principal da representação, chama a atenção a superficialidade das alegações feitas pela autoridade representante".

O termo de representação, segundo o juiz, não cita as supostas ameaças que as testemunhas estariam sofrendo. O tema teria sido abordado no pedido de prisão "em sumárias três linhas e meia".

"De igual modo, não pode prosperar o argumento da testemunha, que disse ter se sentido ameaçada e, com medo, decidiu não registrar o ocorrido e que pretendia rapidamente sair daquela situação sendo que somente passaram a colaborara para a elucidação dos fatos após descobrirem que a vítima do acidente era o filho da atriz Cissa Guimarães".

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