Polícia prende quinze suspeitos em operação contra milícia no Rio

Entre os detidos, seis são PMs. Foram expedidos 40 mandados de prisão contra grupo que atuaria na zona oeste

Bruna Fantti e Daniel Gonçalves, especial para o iG |

Agência O Globo
Policiais prendem suspeito e apreendem armas em operação contra milicianos
Policiais civis prenderam quinze suspeitos de integrarem um grupo de milicianos que atuava no Complexo de Água Santa, zona oeste, em operação realizada nesta quinta-feira (23).

No total, foram expedidos quarenta mandados de prisão, sendo treze para policiais militares. Até o final da tarde, seis PMs haviam sido detidos.

O titular da Draco (Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas), delegado Claudio Ferraz, foi quem comandou a operação. 

Ele afirmou que as investigações começaram há sete meses, a partir de disque-denúncias e registros de homicídios e roubos na região. 

"Moradores que se sentiram coagidos procuraram a polícia. Os homens apontados como milicianos simulavam assaltos para depois oferecer segurança, além de serviços como tv a cabo clandestina", disse.

A taxa mensal de segurança cobrada era de R$ 30 e, a de TV por assinatura, R$ 50.

Um dos supostos crimes cometidos pelos milicianos, e que chamou a atenção dos policiais, foi o assassinato de um homem, de 53 anos, conhecido como "Bob", que ajudava no transporte da água de uma fonte existente no alto do Complexo, responsável por abastecer algumas casas. "Eles teriam matado o Bob para poder cobrar dos moradores uma taxa referente a coleta dessa água, que antes era gratuita", afirmou Ferraz.

Entre os presos desta quinta-feira, estão os dois homens apontados como chefes da quadrilha pela polícia: o sargento da PM Wellington Alves Barbosa, conhecido como Nam, e Marcos de Faria Ferreira, o Cabeça.

Os detidos serão indiciados por formação de quadrilha, qualificada por porte de calibre ilegal de arma. Se condenados, a pena pode chegar a 10 anos de prisão.

Foram apreendidos fuzis, escopetas, pistolas, munições e uma granada. Entre os fuzis, um modelo Mause foi adaptado com luneta para precisar a temperatura do ambiente e a distância do tiro, que poderia alcançar 4 mil metros.

A operação irá continuar no Complexo de Água Santa, que abrange os morros do 18, Saçu, Caixa D'Água, Favelinha, Fazendinha, Pau Ferro, Granja, Beco, Fubá e Cabo, até que todos os mandados de prisão sejam cumpridos.

O Chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, afirmou, durante a coletiva para apresentação do material apreendido, que não há diferença entre homens que atuam como traficantes ou milicianos. "Os dois são bandidos. Se o tráfico irá voltar na região? Não sei, até hoje não houve uma ocupação imediata de traficantes após a saída de milicianos. Trabalhamos constantemente contra tudo o que é dito ilegal", disse.  

Ainda de acordo com o delegado, o grupo se fixou no local em 2007 após expulsar traficantes locais. Cerca de 30 pessoas teriam sido mortas nesse confronto.

Agência O Globo
Suspeito é detido por agente em operação contra milícia no Complexo de Água Santa

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