Polícia prende delegado que teria ligações com jogo do bicho

Em casa de outro suspeito foi apreendida mala com R$ 210 mil escondida em árvore; operação foi deflagrada pela corregedoria

iG Rio de Janeiro |

Após seis meses de uma investigação iniciada depois que a Polícia Federal flagrou bancas do jogo do bicho próximas a delegacias e prédios públicos, a Corregedoria Interna da Polícia Cívil do Rio (Coinpol) prendeu nesta quarta-feira (1), um delegado, cinco policiais e um agente penitenciário. Eles são acusados de integrar um esquema para cobrar propina de bicheiros e empresários. Batizada de Alçapão, a operação começou às 6h. Um advogado também foi preso.

O delegado preso foi identificado como Henrique Faro, titular da 104ª DP (São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana). A polícia o encontrou em casa, na Tijuca, na zona norte da capital.

Na casa de um dos suspeitos, os policiais encontraram uma mala com R$ 210 mil escondida em uma árvore.

As investigações indicam que, além de não reprimir as atividades dos contraventores, os policiais vazavam informações sobre operações contra os jogos ilegais antes de elas serem realizadas.

A denúncia do Ministério Público foi recebida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo que, além de decretar as prisões preventivas de alguns suspeitos, também atendeu aos requerimentos da Promotoria para afastar parte dos acusados de suas funções públicas

Ao todo, 15 pessoas são suspeitas de integrarem a quadrilha e foram denunciadas por crimes de quadrilha armada, prevaricação e corrupção. Entre os acusados, estão também uma comissária da Polícia Civil, o diretor de um estaleiro e o gerente de um supermercado, que ainda não tiveram as prisões decretadas.

Balcão de negócios

Nas casas e locais de trabalho dos suspeitos, os agentes da Corregedoria apreenderam, além de dinheiro, laptops, computadores, documentos, armas, munição e duas motos das marcas BMW e Suzuki.  As motos foram encontradas em uma empresa de segurança que pertence a dois policiais civis.

Um dos mandados de busca de apreensão foi cumprido na casa do ex-secretário de Segurança de Niterói, Marival Gomes. Os policiais visitaram supermercados, um estaleiro (Mauá), escritórios de advocacia e repartições públicas.

Segundo as investigações, os agentes da Polícia Civil presos atuavam na 76ª DP (Centro de Niterói), na 72ª DP (São Gonçalo) e na 81ª DP (Itaipu) na época dos fatos e montaram um verdadeiro “balcão de negócios” nestas unidades.

O dinheiro da propina era recebido pelo chefe do Setor de Homicídios da 72ª DP e encaminhado para os demais envolvidos. Um dos policiais foi citado nas investigações como sendo dono de algumas máquinas caça-níqueis.

Já o gerente do supermercado foi acusado de pagar propina aos policais para que agilizassem inquéritos que tratassem de crimes patrimoniais praticados por funcionários contra o estabelecimento. A “propina” era paga na forma de mercadorias, retiradas gratuitamente em duas filiais.

Um dos policiais envolvidos ainda prometeu tratamento privilegiado ao supermercado caso recebesse três camisas para ingressar em um dos setores do Sambódromo carioca e assistir o Desfile das Campeãs.

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