Polícia pede lista de militares que trabalharam após parada gay

Objetivo é identificar acusado de disparar contra estudante que participou do evento. Exército nega autoria

iG Rio de Janeiro |

A Polícia Civil investiga o caso do estudante que foi baleado após participar da 15ª Parada do Orgulho Gay, no Rio, na noite deste domingo (14). A polícia solicitou a lista dos militares que estavam trabalhando no momento do crime ao Comando Militar do Leste. Segundo a polícia, o rapaz acusa um suposto agente militar de ser o autor dos disparos.

O estudante e outros dois outros rapazes estavam nas pedras do Arpoador, próximo ao Forte de Copacana, área militar. Eles teriam sido abordados por homens uniformizados como agentes do Exército, segundo a polícia. Um dos supostos soldados teria disparado e atingido o rapaz.

Segundo a polícia, os rapazes que acompanhavam o estudante baleado conseguiram escapar. O estudante está internado no Hospital Miguel Couto, no Leblon, e deve passar por um cirurgia. Ele não apresenta risco de morte. À polícia, a família do rapaz relatou que o crime pode ter sido motivado por homofobia. 

A família do jovem acusa um militar do Exército de discriminação, agressão e de ter feito o disparo. De acordo com a mãe do rapaz, os amigos foram para o Arpoador depois do evento e estavam conversando no local. Alguns estavam namorando, daí a desconfiança de motivação homofóbica do crime. Segundo ela, o filho contou que o suposto militar os agrediu verbal e fisicamente antes de disparar. "Eles sofreram tortura psicológica e foram agredidos. Foram abordados por preconceito. Não estavam em área militar", disse a mãe.

Não existe patrulha externa, diz Exército

O Exército nega a autoria do disparo por parte de militares em serviço. A assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste informa que não há patrulhamento externo ao Forte de Copacabana e que a área onde o rapaz relata ter sido atingido não está sob sua administração. Sendo assim, soldados em serviço não poderiam ter atirado no rapaz. Mas a nota não descarta que militares possam ter cometido o crime fora do expediente. Eis a nota:

"-Não foi registrado nenhum disparo de arma de fogo por militares de serviço no Forte de Copacabana, na data de ontem;
- A área onde houve a ocorrência não é área sob a adminstração do Forte de Copacabana;
-Não existe nenhum tipo de patrulha externa realizada por militares de serviço no Forte de Copacabana, fora da área militar"

Contra a homofobia

O tema da 15ª edição da parada gay em Copacabana foi justamente a luta contra a homofobia. A Polícia Militar estimou o público presente em cerca de 250 mil pessoas - número é bem mais modesto do estimado pelos organizadores da passeata, o grupo Arco Íris, que fez uma previsão de 1,2 milhão de participantes.

Fabrizia Granatieri
Luta contra homofobia foi tema da Parada Gay deste domingo (14), em Copacabana

* Com informações da Agência Estado

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