Polícia ouve menina em acusação contra procuradora

Vera Lúcia Sant'anna Gomes foi indiciada pelo crime de tortura qualificada pelas supostas agressões à criança que pretendia adotar

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

A menina de 2 anos e 10 meses que teria sido agredida pela procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia Sant'anna Gomes, de 57 anos, está sendo ouvida nesta terça-feira na Delegacia da Criança e do Adolescente Vitima (DCAV). A criança é entrevistada por um psicólogo da Polícia Civil em uma sala especial.

A menina chegou à delegacia por volta do meio-dia acompanhada por três mulheres, sendo uma representante do abrigo onde a criança mora, uma assistente social e uma psicóloga do Juizado da Infância e da Juventude.

“Primeiro eu faço uma aproximação e vejo se ela interage comigo. Após isso vou entrar nas situações ligadas ao fato denunciado”, disse o psicólogo Gilberto Fernandes.

Segundo o especialista, a sessão deve durar aproximadamente 50 minutos. Ele informou que serão realizadas quantas sessões forem necessárias até que a menina se sinta a vontade.

“Posso fazer um desenho de uma casa e utilizar alguns bonecos para uma atividade lúdica. Com isso, ela pode mostrar o que aconteceu na casa” afirmou

De acordo com o delegado Luiz Henriques Marques, o depoimento formal é substituído neste caso por uma avaliação psicológica para que não sejam causados mais transtornos à criança. “Precisamos de elementos que comprovem o fato. Ela vai ser submetida a alguns testes e no final o psicólogo irá montar um laudo”, disse. “A menina pode não falar nada e com um desenho ou gesto dizer tudo”.

iG São Paulo
Procuradora chega para depor na polícia no Rio
Segundo o delegado, ao chegar, a menina estava um pouco assustada. “Perguntei o seu nome e ela ficou calada, só olhando”, relatou.

O caso

Vera Lúcia Sant'anna Gomes foi indiciada pelo crime de tortura qualificada pelas supostas agressões à criança. A menina estava sob sua guarda provisória em processo de adoção. Em depoimento na 13ª DP (Ipanema), a procuradora negou as agressões e disse que tinha um grande carinho pela menina. Ela admitiu que chamou a garota de "cachorrinha", mas alegou que não considerava a expressão uma ofensa, já que ela gosta muito de cães.

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