Polícia ocupa três favelas no Rio de Janeiro

Cerca de duas horas e meia após o início da operação, o Chefe do Estado Maior da PM confirmou que comunidades estavam dominadas

Paula Costa, especial para o iG |

A ocupação das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu , na zona sul do Rio de Janeiro , ocorreu sem incidentes e feridos neste domingo. A ação integrada pela Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Civil teve início por volta das 4h15 da madrugada deste domingo com a entrada de cerca de 20 homens da Polícia Rodoviária Federal na comunidade. Os policiais entraram pela Via Ápia, um dos principais acessos à comunidade. Agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), entraram logo em seguida.

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Cerca de duas horas e meia após o início das operações, o Coronel Pinheiro Neto, Chefe do Estado Maior da Polícia Militar, confirmou que as comunidades da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu estão sob controle da PM. No entanto, a operação Choque de Paz prossegue ao longo do dia. Segundo a Polícia Militar, na ocupação da Rocinha não foi feito nenhum disparo e não houve nenhum ferido.

Neste domingo, policiais vasculham casas em busca de suspeitos, drogas e armas . A Polícia Civil também conta com a ajuda de cães farejadores. Para evitar fugas, a exemplo do que ocorreu na ocupação do Morro do Alemão , em novembro de 2010, o Bope tomou a floresta da Tijuca.

A assessoria da Polícia Militar informou que foram encontrados destroços de motos e óleo na pista para dificultar o acesso das forças de segurança. Policiais relataram ao iG que encontraram várias barricadas. Além de óleo no Largo do Santinho, havia móveis, carros e lixo bloqueando a passagem dos agentes.

Também fazem parte da Operação Choque de Paz 1.500 oficiais da Polícia Militar do Rio, 194 homens da Marinha brasileira e 18 veículos blindados . É o maior efetivo empregado até agora nas ações de apoio logístico às operações de segurança no Estado. O espaço aéreo na região foi fechado e todos os acessos à Favela da Rocinha foram interditados desde às 2h30 da madrugada . Por volta das 7h30, as vias que ligam a favela à zona sul foram liberados.

Pela manhã, foram apresentadas as primeiras armas apreendidas na operação . Onze fuzis, uma granada, uma metralhadora, duas lunetas, 21 carregadores, uma escopeta. No morro do Vidigal, foram recolhidas 16 máquinas caça-níqueis. Além das armas, a polícia identificou a casa um dos principais traficantes da região.

Mais fotos: Veja também imagens das apreensões da polícia durante a ocupação

Apreensão e blitz na madrugada

A primeira apreensão desta noite na Rocinha foi de uma moto roubada. Um jovem de 18 anos estava com a placa do veículo adulterada e foi detido. “Quando ele me viu, tentou fugir, mas como estava muito assustado caiu”, disse o cabo A. Rodrigues. Segundo o policial, a equipe não tem horário para ir embora e a operação deve durar o domingo todo.

J. Egberto
Igor Tomás da Silva foi preso enquanto recebia atendimento médico

O rapaz detido disse que era menor de idade, mas seu pai compareceu ao local da detenção e afirmou que ele tinha 18 anos. Como estava sem documentos, os policias não puderam verificar se o motorista tinha antecedentes criminais.

Por volta das 3h, um homem de 29 foi preso ao ser atendido em um posto médico montado na região. Carregado por duas pessoas, Igor Tomás da Silva disse que estava passando mal e passou pelo bloqueio policial. A polícia puxou a ficha de Igor e descobriu que ele estava foragido desde 2009 por assalto a mão armada. Ele foi preso enquanto recebia atendimento.

Reação da comunidade

O ex-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, William de Oliveira, afirmou na madrugada deste domingo que as pessoas que vivem na região só devem apoiar totalmente a ocupação da favela, na zona sul do Rio de Janeiro, após a operação. "A Rocinha tem 200 mil habitantes, há uma diversidade de opinião. Depois da ocupação, o policial terá que mostrar como vai tratar a comunidade, aí sim todos serão a favor", declarou.

Sobre a operação, William, que hoje preside o Movimento Popular de Favela, esperava que não haja confrontos com os traficantes. "Só quero que deem prioridade à vida. Quem comete delito deve ser preso, não morto", diz. Ele ainda defendeu uma maior atenção à Rocinha e disse que o Governo deve priorizar agora outras questões da comunidade, e não apenas a segurança. "Nós temos várias áreas precárias, são pessoas que moram em situação desumana. Esperamos ser tratados como prioridade."

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