Polícia Militar reforça patrulhamento na Favela da Rocinha

Operação tem como objetivo evitar fuga de criminosos de comunidade que deve ser ocupada nos próximos dias para a instalação de UPP

iG Rio de Janeiro |

Fabiano Rocha / Agência O Globo
Policial militar do Batalhão de Choque revista motociclista em um dos acessos à Favela da Rocinha
Policiais militares do Batalhão de Choque e do 23º BPM (Leblon) reforçam o patrulhamento nesta quarta-feira (9) na Favela da Rocinha , em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro. Os agentes estão fixados em dois pontos e revistam vans e motociclistas que passam pela região.

De acordo com a PM, a ação tem como objetivo impedir a fuga de traficantes da Favela da Rocinha. A comunidade deve ser ocupada nos próximos dias para implantação da 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio.

Leia também: Traficante da Favela da Rocinha ameaça resistir à UPP

Investigações feitas pela 15ª DP (Gávea) apontam que Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico de drogas na Rocinha, tem dito aos moradores da favela que vai resistir contra a ocupação policial . Ele, no entanto, já estaria andando com três seguranças e uma grande quantia de dinheiro para uma provável fuga.

"Ele fala em resistência para não perder a autoridade entre os subordinados, mas já temos informes sobre planos para escapar", disse o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto. Entre os destinos prováveis de Nem estariam o Estado da Paraíba, a cidade de Macaé (no Norte Fluminense) ou o conjunto de favelas da Pedreira, em Costa Barros no subúrbio do Rio.

Divulgação/Disque-Denúncia
Disque-Denúncia oferece recompensa por informações que levem ao traficante Nem
Por causa da iminente ocupação policial, Nem decretou desde quinta-feira passada um toque de recolher do comércio e moradores, segundo informações da polícia. O traficante também limitou a circulação de motociclistas.

Os líderes comunitários negam o toque de recolher. “É impossível, porque aqui as pessoas trabalham e o maior movimento do comércio é à noite", disse o presidente da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, o Leo.

Atendimento médico

O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto confirmou que Nem procurou atendimento médico na manhã da última segunda-feira (7) na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Favela da Rocinha. “Ele foi acompanhado de pessoas fortemente armadas e permaneceu pouco tempo no local”, disse o titular da 15ª DP (Gávea).

Segundo Nogueira Pinto, o traficante teve uma convulsão após misturar álcool com ecstasy. A mistura teria ocorrido durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira. Denúncias recebidas pela polícia indicam que Nem estaria apreensivo no evento por causa da ocupação da PM para a instalação da UPP.

A polícia também recebeu a informação de que Nem teria procurado o atendimento médico porque teria ficado ferido com um disparo acidental. Essa versão, no entanto, foi descartada.

Popularidade em baixa

O Disque-Denúncia recebeu pelo menos 16 telefonemas informando a ida do traficante à UPA e seu possível paradeiro. Para os investigadores, a delação anônima é um termômetro da insatisfação dos moradores da Rocinha com o líder com tráfico.

Uma das razões da queda de popularidade de Nem é a presença de traficantes expulsos pelas UPPs, em especial do morro do São Carlos, na zona norte, que foram abrigados por Nem. Estes bandidos não teriam o compromisso de Nem com a comunidade. Ele chegou a ser cobrado pelos moradores e fez uma reunião com lideranças comunitárias para afirmar que a situação era transitória.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

De acordo com informações da polícia, o comportamento de Nem mudou nos últimos dias. Se antigamente o traficante promovia festas e shows na favela e exibia fotos dele e da mulher em redes sociais na internet, hoje, não fica mais que dez minutos nos eventos e proíbe fotografias e o uso de celular perto dele.

*com informações da Agência Estado

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