Polícia investiga se fardas apreendidas foram usadas em invasão a hotel

Suspeito de integrar quadrilha do traficante Nem foi preso comprando materiais de uso militar e policial

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Parte do material de uso militar e policial apreendido com Michael Chaves da Silva
A Polícia Civil do Rio investiga se algumas das fardas militares apreendidas com um homem suspeito de integrar a quadrilha do traficante Francisco Antônio Bonfim Lopes, o Nem, foram utilizadas na invasão de criminosos ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, em agosto deste ano. Michael Chaves da Silva, de 30 anos, foi preso por agentes da Polinter na última quinta-feira (4) quando comprava materiais de uso militar e policial para equipar traficantes da Favela da Rocinha, comandada por Nem.

A compra estava sendo realizada na loja Unimil, especializada em artigos militares, que fica na Praça Mauá, no centro do Rio. No momento em que foi preso, Michael tinha acabado de adquirir coldres de pistola, bandoleiras de fuzil, calças táticas pretas, joelheiras, camisas pretas, coturnos militares e coletes táticos de uso policial.

Segundo a polícia, os traficantes utilizam essas roupas para invadir favelas rivais e confundir inimigos, uma vez que elas parecem com uniformes policiais. Situação semelhante ocorreu na invasão ao Hotel Intercontinental.

Lei estadual

Em depoimento, Michael revelou que era a quarta vez que comprava esse tipo de material para entregar ao traficante Nem. Segundo ele, a compra foi feita sem que lhe fosse cobrado qualquer tipo de identificação militar por funcionários da loja. Também não perguntaram qual era o destino do material e nem foi emitida a nota de controle fiscal.

Uma lei estadual determina que a venda deste tipo de produto só pode ser feita por lojistas cadastrados e mediante a apresentação, pelo comprador, de carteira comprovando ser policial ou militar. O texto, no entanto, ainda não foi regulamentado.

A Secretaria Estadual de Segurança informou que está finalizando as normas de aplicação da lei para, depois, encaminhar a regulamentação à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A loja Unimil alegou que age dentro da lei, visto que ainda não há uma regulamentação sobre o assunto. Mesmo assim, representantes da loja serão convocados pela polícia para prestar depoimento.

As investigações para prender Michael tiveram início há cerca de dois meses. Ele já havia sido indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de associação ao tráfico de drogas e estelionato.

Relembre a invasão

Um grupo de cerca de dez traficantes da Favela da Rocinha invadiu na manhã do dia 21 de agosto o Hotel Intercontinental, em São Conrado, na zona sul do Rio. De acordo com a polícia, os criminosos voltavam de uma festa em uma favela vizinha e encontraram com uma viatura da PM, iniciando uma intensa troca de tiros.

Na fuga, eles invadiram o hotel e fizeram 35 pessoas reféns. Soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram chamados para iniciar as negociações. Após quase duas horas, o grupo se entregou e os reféns foram libertados. No mesmo mês, os presos foram transferidos para o presídio federal de segurança máxima em Porto Velho, em Rondônia.

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