Polícia investiga ação de milícias na zona sul do Rio

Milicianos estão sendo investigados por suposta atuação em bairros nobres da zona sul da capital fluminense

AE |

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Milicianos - policiais, bombeiros e agentes penitenciários integrantes de quadrilhas formadas para vender proteção e operar negócios ilegais em favelas e bairros pobres e distantes das áreas centrais do Rio de Janeiro - estão sendo investigados por suposta atuação em bairros nobres da zona sul da capital fluminense.

O objetivo dos paramilitares, segundo a polícia, é lucrar com o medo de vizinhos de favelas ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em relação a criminosos que teriam fugido das áreas que antes dominavam e agora são ocupadas pelo Estado. Um inquérito foi instaurado semana passada na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) para apurar a ação do grupo em Copacabana, após a denúncia de um morador surpreendido com uma taxa de cobrança por segurança no balancete de seu condomínio.

Os milicianos seriam responsáveis por crimes como roubos a transeuntes, furtos em carros e até incêndios de veículos, mas os atribuiriam a traficantes expulsos das favelas pelas UPPs e ofereceriam segurança aos moradores, apesar de a polícia já ter informado que os líderes do tráfico estão refugiados em favelas como Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro, na zona norte.

De acordo com investigadores da Draco afirmam nos inquéritos já instaurados, a ação dos milicianos na zona sul é muito mais discreta do que nas favelas da zona oeste onde os paramilitares cobram ostensivamente por segurança e exploração de serviços, como distribuição de gás, transporte alternativo e distribuição do sinal de tv a cabo pirata, o "gatonet".

"A testemunha que prestou depoimento sobre a extorsão em Copacabana descobriu que o condomínio pagava pela suposta segurança, apenas após examinar o balancete detalhado do condomínio. Ele ainda foi repreendido, por fazer a denúncia, pelos vizinhos, que temem represálias", disse o delegado da Draco, Alexandre Capote, que investiga o caso.

Incêndio e arrastões

Após a ampliação do cinturão das UPPs para a zona norte, uma onda de pânico se alastrou pela cidade. Nesta semana pelo menos seis carros foram incendiados na capital fluminense. Dois foram atacados em Vila Isabel, na zona norte do Rio, onde foi instalada a UPP do Morro dos Macacos. Outros dois foram atacados no Flamengo, na zona sul, bairro que foi contemplado com uma "UPP informal" no Morro Azul. Dois veículos foram queimados no bairro do Tanque, na zona oeste, região sob domínio das milícias. Nada foi roubado. 

Nos supostos arrastões que seriam promovidos por milicianos, os carros também não são roubados, apenas os pertences dos motoristas, como celulares e carteiras, são levados. Na Rua Faro, desde setembro, os moradores registraram queixas na 15ª Delegacia de Polícia da Gávea de roubos praticados por quatro integrantes do um Corolla preto. 

"Três deles já foram identificados, e não foi detectada qualquer ligação com o tráfico de drogas. Trata-se de uma família do Catumbi (zona norte), que teve alguns integrantes já presos por roubo.

O mesmo grupo atuou na zona sul em 2008. Na época, também foi levantada uma possível ligação deles com milicianos, mas nada foi comprovado", afirmou a delegada titular da 15ª DP da Gávea, Bárbara Lomba. Segundo ela, o mesmo carro foi visto fazendo assaltos em outros bairros da zona sul. Eles roubam mochilas de estudantes, celulares, dinheiro e objetos de pouco valor.

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