Polícia identificou mulher que teria incentivado morte de adolescente

Jovem é prima de um dos acusados e teria sido o motivo de briga em São Gonçalo

Daniel Gonçalves e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

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Alexandre Thomé Ivo Rojão, que foi encontrado morto em São Gonçalo
O titular da 72ª DP (São Gonçalo), Geraldo Assed Estefan, afirmou nesta sexta-feira que já identificou a jovem que teria sido o estopim da briga que causou a morte do adolescente Alexandre Thomé Ivo Rajão, de 14 anos, assassinado na madrugada da última segunda-feira (21). Segundo Estefan, há suspeita também dela ter incentivado o crime. O nome da mulher é mantido em sigilo, mas sabe-se que seria prima de um dos acusados presos.


Um quarto rapaz também está sendo procurado sob suspeita de ter participado da tortura e morte de Alexandre. Ontem uma testemunha que mora próximo do local onde o corpo foi achado seria ouvida, mas o depoimento foi remarcado para segunda-feira. Na quarta-feira os três suspeitos de cometerem o crime foram presos. Eles foram identificados como Eric Boa Hora Bedruim e Alan Siqueira Freitas, ambos de 22 anos, e André Luiz Cruz Souza, de 23. O trio negou as acusações.


A polícia suspeita que eles façam parte de um grupo de skinheads, que pregam a homofobia e o ódio contra negros. Eles podem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. A pena prevista é de 12 a 30 anos de detenção. “Eles se definiam como skinheads pelas localidades próximas. Era uma denominação que eles mesmos sempre gostavam de falar”, disse o delegado ao iG.


O delegado revelou que vai pedir a quebra do sigilo telefônico dos acusados para tentar descobrir onde eles estavam na hora que o adolescente desapareceu. Há suspeita de que o crime tenha sido cometido por homofobia.


Briga em festa

Alexandre estava em uma festa após o último jogo do Brasil com um grupo de amigos quando houve uma briga com outra turma de rapazes. O adolescente foi à delegacia, acompanhado de um colega, para registrar queixa por agressão. Eles retornaram para a festa, mas por volta das 2h30, Alexandre teria ido embora sozinho. Ele foi visto pela última vez em um ponto de ônibus no bairro de Mutuá.


Ainda de acordo com o delegado Geraldo Assed Estefan, graças a ligações feitas para o disque-denúncia, chegou-se aos três suspeitos a partir de uma informação anônima da placa de um carro que estava no local em que foi encontrado o corpo no dia do crime. Pelo carro, os policiais chegaram ao grupo de amigos. Alexandre teria sido seqüestrado no ponto de ônibus. Pelo laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), Alexandre foi espancado, torturado e morto por estrangulamento duas horas depois.


Mãe do jovem está inconsolável


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Alexandre foi torturado e estrangulado
A polícia prendeu os três suspeitos nesta quarta-feira (23). Amigos da vítima também denunciaram que o carro que teria sido usado pelos suspeitos rondou o cemitério na hora do enterro. Mãe de Alexandre, a assistente administrativa Angélica Vidal, disse à reportagem do iG que não conhecia os rapazes que podem ter matado seu filho. “Já pedi para um técnico vir aqui em casa desmontar o computador e analisar com quem ele falou pela última vez”, contou. O jovem saiu de casa no domingo cedo, vestindo a camisa da seleção brasileira e um short, mesma roupa com a qual foi encontrado na madrugada seguinte.


Segundo informações da polícia, Eric, Alan e André estiveram em um churrasco na casa de uma menina, para assistir ao jogo do Brasil, no domingo. O tio do estudante, Vagner Vidal, contou que uma das meninas presentes à festa teria inventado uma história de que foi agredida por um dos convidados. O trio foi tirar satisfações. Alexandre teria se metido na confusão para defender o rapaz, acusado injustamente. “Após a briga, Alexandre e o amigo foram à delegacia de São Gonçalo para registrar a queixa. Já se passava das 2h da madrugada, quando Alexandre foi para casa, após passar na casa do amigo agredido”, contou Vagner.


Neste momento, Eric, Alan e André teriam abordado Alexandre e sumido com ele. “Só quero justiça. Mataram cruelmente o meu filho, isso não pode ficar impune. Eles são tão cruéis que teve gente que viu o carro suspeito deles circulando o cemitério hoje, mais cedo, na hora do velório”, contou Angélica.
Alexandre estudava no 9º ano da escola College, no bairro da Mangueira, em São Gonçalo. Parentes contam que ele nunca havia se metido em confusão antes. Antes de ir ao churrasco, que aconteceu logo após o jogo do Brasil e Costa do Marfim, pela Copa do Mundo, Alexandre encontrou os amigos na praça Zé Geraldo, no centro do município, onde jovens de sua idade costumam se reunir para conversar. “Uma vizinha o viu e até brincou com ele. Disse: ‘Já está preparado para o jogo? Que bom’. Ele disse: ‘Sim, estou animado’”, relatou a mãe.

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