PF apura 'caixa 2' em apostas no Jockey Club Brasileiro

Agentes federais investigam se esquema tinha como objetivo possível remessa de dinheiro para o exterior

iG Rio de Janeiro |

Policiais federais da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros (Delefin) realizaram uma operação nesta quarta-feira (11) nas sedes da empresa Codere do Brasil Entretenimento Ltda e do Jockey Club Brasileiro, no centro e na zona sul do Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Federal (PF), está sendo investigada a suposta formação de 'caixa 2' com realização de apostas e pagamento de prêmios não contabilizados, de forma a burlar o pagamento de impostos e a fiscalização tributária, com possível remessa de dinheiro para o exterior. 

Na ação, foi apreendida farta documentação como notas fiscais e blocos talonários. A PF apura se foram cometidos crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Se condenados, os envolvidos podem ser condenados até 15 anos de reclusão. A operação policial contou com 20 policiais federais e três fiscais da Receita Federal.

No Brasil desde 2005, a Codere é uma empresa espanhola que atua no mercado de apostas em corridas de cavalos. A companhia possui duas agências no Rio e uma no município de Niterói, na região metropolitana.

"O projeto da Codere consiste em oferecer aos seus clientes apostas em corridas de cavalos nacionais e internacionais em instalações de entretenimento de primeiro nível, atraindo tanto o público familiarizado com as apostas quanto o público que nunca frequentou um hipódromo", informa o site da empresa.

Posição do Jockey

Em nota oficial, a administração do Jockey Club Brasileiro (JCB) informou que não cometeu qualquer irregularidade contábil, fiscal ou de outro tipo em sua relação com a Codere do Brasil Entretenimento Ltda, relativa à modalidade de apostas simulcasting internacional, em corridas de cavalo no exterior.

O comunicado informa que o contrato do JCB com a Codere foi assinado em 2005, ainda na gestão de Luiz Alfredo Taunay. A atual administração do JCB só tomou posse quase três anos depois, em maio de 2008, manteve o procedimento contábil e fiscal anteriormente adotado e não fez qualquer transferência, crédito, depósito ou pagamento em favor da Codere. Ao contrário, o JCB apenas recebeu pagamentos da Codere, devido à participação de 3% no movimento geral de apostas feitas no simulcasting internacional, atividade legal, devidamente autorizada e fiscalizada pelo Ministério da Agricultura.

De acordo com a nota, toda a documentação relativa ao relacionamento com a Codere – contrato, aditamento e notas fiscais – foi encaminhada, ontem mesmo, em original, ao Juiz da Terceira Vara Criminal, de forma espontânea, pelo presidente do JCB, Luís Eduardo da Costa Carvalho, que se colocou à disposição para prestar qualquer outra informação ao Judiciário, ao Ministério Público ou à Polícia Federal.

A administração do Jockey informou ainda que cópias desses mesmos documentos foram entregues hoje à Polícia Federal e estão disponíveis no site do JCB (www.jcb.com.br), já havendo também sido exaustivamente discutidos em assembléias e reuniões específicas com os sócios.

O comunicado explica também que a atual diretoria do JCB, candidata à reeleição, atribui a insistência em falsas acusações a motivações políticas de um pequeno grupo de sócios opositores visando influenciar as eleições para a escolha da nova diretoria do JCB, marcadas para 31 de maio próximo. Ao assim proceder, porém, esse grupo de oposição privilegia seus interesses pessoais em detrimento dos interesses maiores do JCB, prejudicando o nome e a tradição de todo o clube e retirando valor da coletividade de seus sócios.

Na nota, a direção do JCB se colocou à disposição de colaborar com as autoridades no que for preciso para esclarecimento dos fatos e restabelecimento da verdade.

Repúdio

A Codere também divulgou comunicado sobre o episódio. A empresa informou que repudia as acusações infundadas de prática de atividade ilegal de qualquer natureza e ressalta que a ampla apuração dos fatos poderá comprovar a legalidade de suas operações.

No comunicado, a empresa informou que mantém contrato assinado desde 2005 com o JCB, com teor publicado no site da entidade turfística, para fins de prestação de serviços de administração de apostas e simulcasting internacional efetuadas em suas unidades.

De acordo com a firma, todas as notas fiscais emitidas pela Codere no desenvolvimento do presente contrato têm origem em serviços prestados, sobre os quais foram pagos todos os impostos devidos. A empresa alega não ter recebido qualquer notificação para apresentar previamente documentação comprobatória de suas atividades, o que, se houvesse acontecido, permitiria à empresa colaborar de imediato apresentando todos os documentos solicitados e prestando esclarecimento.

A Codere explicou ainda, na nota, que como prestadora de serviços, mantém-se alheia a quaisquer manifestações que tenham a mera intenção de questionar a credibilidade de suas operações para atingir a outrem como meio de disputas pelo poder ou de ordem política.

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