Polícia fecha clínica clandestina no Morro da Mineira

Local seria usado para prestar atendimento a traficantes; estrangeiro atuava irregularmente como médico no local

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Jadson Marques / Parceiro / Agência O Globo
Policias detiveram um alemão que trabalhava como médico em clínica clandestina no Morro da Mineira, no Catumbi; Kai-Jorg está no Brasil irregularmente desde 2007
Um alemão em situação irregular no Brasil foi detido por policiais que realizaram neste domingo (6) a megaoperação em nove favelas na região central da cidade do Rio de Janeiro. Kai-Jorg Niespodziany, de 38 anos, se apresentava como médico e prestava atendimentos no Centro Comunitário Chuveirinho, no Morro da Mineira, uma das favelas ocupadas.

Segundo os policiais, Kai-Jorg teria afirmado que não é médico formado. Os agentes investigam se o centro comunitário foi desmontado para servir de clínica aos traficantes da localidade. Na casa instalada na Travessa Rui Barbosa, 701, foram apreendidos materiais cirúrgicos, medicamentos e até equipamentos odontológicos.

Entre os documentos encontrados na clínica havia um atestado em papel com o timbre da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirmando que Kai-Jorg "cumpriu todas as exigências do Conselho Federal de Medicina, em Brasília", e que teve um percentual de acertos de 99,9% na prova realizada a fim de aceitar no Brasil seu registro profissional da Alemanha.

O documento ainda informa que o suposto médico

Jadson Marques / Parceiro / Agência O Globo
Policiais encontraram medicamentos, equipamentos cirúrgicos na clínica clandestina; Kai-Jorg portava documentos que atestavam seuo registro provisório de médico
foi pré-inscrito no Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, sob o número 52.323.19-8. O atestado é assinado pela vice-presidência da Faculdade de Ciência Médica da UFRJ, mas a polícia afirmou que vai investigar se a papelada é verdadeira.

Ao ser detido, o suposto médico usava um jaleco que continha a inscrição de seu nome e as especialidades em que atuaria: "ginecologia, pediatria e cirurgia". Kai-Jorg também portava uma declaração que seria da Cruz Vermelha Brasileira, seção RJ, informando que ele seria voluntário da instituição.

"O que a gente tem de concreto é que ele não tem diploma, mas trabalhava como médico aqui. Como os registros de atendimento não apresentam o nome dos pacientes, é bem possível que ele atendesse aos traficantes da favela", disse o relações públicas da PM, coronel Lima Castro.

Pai de Kai-Jorg é químico e trabalha em laboratório no Rio

De acordo com os policiais, Kai-Jorg entrou no Brasil em 2007 com visto de turista que já expirou. Como fala português fluentemente, os investigadores acreditam que esta não seja sua primeira passagem pelo Brasil. Segundo os policiais, o alemão é filho de um químico que trabalha num laboratório na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Na página que mantém no Facebook, Kai exibe uma fotoem que veste um jaleco e carrega um estetoscópio pendurado no pescoço. Ao ser detido pelos policiais, ele teria afirmado ser paramédico. Como está com o visto vencido desde 2007, o alemão ficará sob os cuidados da Polícia Federal.

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