Polícia do Rio prende suspeitos de integrar grupo de extermínio

Entre os integrantes da suposta quadrilha estão quatro policiais militares e dois parentes de uma oficial da PM

iG Rio de Janeiro |

Policiais da delegacia de São Gonçalo (72°DP) prenderam, nesta sexta-feira, cinco pessoas apontadas como integrantes de um grupo de extermínio que agia no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Os agentes ainda procuram outros dois homens.

A polícia afirmou que a quadrilha é suspeita de ter executado 11 homens, que seriam traficantes de entorpecentes. De acordo com o delegado que comanda as investigações, Geraldo Assed, o grupo de extermínio sequestrava homens que trabalhavam em pontos de venda de drogas e pediam dinheiro aos familiares das vítimas para o resgate. Mesmo após os pagamentos, que variavam entre R$ 5 e R$ 30 mil reais, eles seriam executados.

As investigações foram conduzidas após a morte de um dos traficantes, identificado como Rafael Dias. A mãe de Dias, procurou a delegacia após o pagamento do resgate.

A polícia civil, então, rastreou o celular que pertencia a Dias e verificou que ele estava sendo usado por um dos policias militares presos nesta sexta-feira.

"Conseguimos autorização da justiça para grampear o telefone do policial que estava com o celular do Rafael [Dias]. Após interceptações telefônicas, chegamos aos outros acusados, que falavam inclusive da execução de outros traficantes", disse Assed.

Ainda segundo o titular da delegacia de São Gonçalo, os familiares das vítimas disseram que sempre realizavam o pagamento para "homens que usavam coturnos pretos e vestiam calças do mug [uniforme cotidiano de PMs]".

A partir dos relatos dos familiares e das gravações telefônicas, os agentes conseguiram vincular onze mortes, ocorridas entre dezembro de 2009 e agosto de 2010, ao suposto grupo de extermínio. No entanto a polícia acredita que o grupo possa ser responsável por mais mortes.

Já estão presos, acusados por envolvimento nas mortes, os cabos da polícia militar Alexsandro Horssamn Lopes, Christian Brito Guimarães, Alecsandre Nazareh Baianese e Rogério Acácio Ferreira. Os três primeiros são lotados no batalhão de Niterói (12°BPM) e o último, no batalhão de São Gonçalo (7°BPM).

Também está presa uma mulher que seria viciada em crack e era informante do grupo. Com exceção dela, todos negaram envolvimento nas mortes.

Todos foram indiciados por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e cruel) e formação de quadrilha. As armas dos policiais foram apreendidas para realização de exame de balística com os projéteis recolhidos dos corpos.

A polícia ainda procura outros dois homens, também acusados de terem participação nos crimes. Eles foram identificados como Hygor Camara Tavares e Wanderson da Silva Tavares (agente penitenciário). Os dois são, respectivamente, filho e enteado da candidata à vaga de deputada estadual pelo PSC, Tenente PM Rosa .

Em nota, a Polícia Militar afirmou que "não coaduna com desvios de conduta. Os policiais serão submetidos a um procedimento interno que irá para apurar suas condutas".

* Reportagem de Manuela Andreoni e Bruna Fantti, especial para o iG

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