Polícia detém os três suspeitos de sequestrar, torturar e matar jovem no Rio

Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 anos, foi encontrado na madrugada de segunda com sinais de enforcamento e lesões no crânio em São Gonçalo

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Eric Boa Hora Bedruim, Alan Siqueira Freitas e André Luiz Cruz Souza, todos de 23 anos, são acusados de matar o estudante Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 anos. Ele foi encontrado no bairro Califórnia, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, na madrugada de segunda-feira (21). O corpo apresentava sinais de enforcamento e lesões no crânio, que podem ter sido causadas com pedras e barras de ferro.

A Justiça havia decretado no começo da tarde desta quarta-feira (23) a prisão temporária dos três jovens. O delegado da 72ª DP, Geraldo Assed, responsável pela investigação, suspeita que eles sejam skinheads e tenham praticado o crime por intolerância sexual. A pena prevista para esse tipo de crime é de 12 a 30 anos de detenção. “Eles se definiam como skinheads pelas localidades próximas. Era uma denominação que eles mesmo sempre gostavam de falar”, disse ao iG.

Ainda segundo o delegado, graças a ligações feitas para o disque-denúncia, chegou-se aos três suspeitos a partir de uma informação anônima da placa de um carro que estava no local em que foi encontrado o corpo no dia do crime. Pelo carro, os policiais chegaram ao grupo de amigos acusados de ter cometido o crime.

Mãe do jovem está inconsolável

Mãe de Alexandre, a assistente administrativa Angélica Vidal, disse à reportagem do iG que não conhecia os rapazes que podem ter matado seu filho. “Já pedi para um técnico vir aqui em casa desmontar o computador e analisar com quem ele falou pela última vez”, contou. O jovem saiu de casa no domingo cedo, vestindo a camisa da seleção brasileira e um short, mesma roupa com a qual foi encontrado na madrugada seguinte.

Segundo informações da polícia, Eric, Alan e André estiveram em um churrasco na casa de uma menina, para assistir ao jogo do Brasil, no domingo. O tio do estudante, Vagner Vidal, contou que uma das meninas presentes à festa teria inventado uma história de que foi agredida por um dos convidados. O trio foi tirar satisfações. Alexandre teria se metido na confusão para defender o rapaz, acusado injustamente. “Após a briga, Alexandre e o amigo foram à delegacia de São Gonçalo para registrar a queixa. Já se passava das 2h da madrugada, quando Alexandre foi para casa, após passar na casa do amigo agredido”, contou Vagner.

Neste momento, Eric, Alan e André teriam abordado Alexandre e sumido com ele. “Só quero justiça. Mataram cruelmente o meu filho, isso não pode ficar impune. Eles são tão cruéis que teve gente que viu o carro suspeito deles circulando o cemitério hoje, mais cedo, na hora do velório”, contou Angélica.

Alexandre estudava no 9º ano da escola College, no bairro da Mangueira, em São Gonçalo. Parentes contam que ele nunca havia se metido em confusão antes. Antes de ir ao churrasco, que aconteceu logo após o jogo do Brasil e Costa do Marfim, pela Copa do Mundo, Alexandre encontrou os amigos na praça Zé Geraldo, no centro do município, onde jovens de sua idade costumam se reunir para conversar. “Uma vizinha o viu e até brincou com ele. Disse: ‘Já está preparado para o jogo? Que bom’. Ele disse: ‘Sim, estou animado’”, relatou a mãe.

    Leia tudo sobre: são gonçaloskinheadspolícia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG