Polícia dá início à ocupação na Tijuca

Morro do Borel será a oitava comunidade a receber UPP no Rio. Seis foram presos pela manhã

iG São Paulo |

A Polícia Militar começa a ocupar nesta quarta-feira o Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, para instalar a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região, uma das mais perigosas da cidade. "Aquela área sofreu muito com a presença dos criminosos. Um bairro tão importante, com tantas tradições, que infelizmente teve suas comunidades carentes dominadas pelo poder paralelo”, disse o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

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Policiais do Bope realizam buscas no Morro do Borel para implantação de UPP
Nesta manhã, seis suspeitos foram presos enquanto tentavam fugir.

"Acho que vai melhorar a nossa segurança. Trabalho aqui há dez anos e isso vai ser bom para o comércio. Nunca fui assaltado, mas os clientes não sentem segurança para vir aqui", disse um comerciante que trabalha em um dos acessos do Morro do Borel.

A violência nos acessos à favela deixou marcas. O hipermercado Carrefour, por exemplo, fechou as portas e um colégio estaria de mudança para a Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste

Morro da Providência

Na segunda-feira, primeira favela do Rio, o Morro da Providência ganhou a sua UPP. A sede da unidade ficará instalada em uma antiga creche. Segundo o comandante da UPP, capitão Glauco Schorcht, 200 homens irão atuar na favela, divididos em quatro turnos. Moradores do local terão que se adequar a algumas novas regras, como a proibição de bailes funk.

“Estamos quebrando o paradigma imposto pelo tráfico de guerra”, avaliou o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. “Agora podemos visitar essa comunidade sem medo de levar um tiro de bala perdida ou encontrar um marginal desvairado”, completou Cabral.

O projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) foi concebido para que o Estado retomasse o controle territorial de comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ou pelas milícias. Atualmente, além do Morro da Providência, o modelo está implantado nas favelas Dona Marta, Jardim Batam, Cidade de Deus, Chapéu Mangueira-Babilônia, Cantagalo-Pavão Pavãozinho e Ladeira dos Tabarajaras.

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Formação de mil policiais no Ginásio do Maracanãzinho para atuar nas UPPs

"Quartéis do crime"

De acordo com a secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, até o final de 2010, o Rio irá contabilizar 15 UPPs. Com as novas ocupações, as unidades irão utilizar um efetivo total de 3.850 policiais, beneficiando cerca de 210 mil moradores de 59 comunidades. “Esse programa é da sociedade e vamos entregar para ela. A polícia chegou e vai ficar. Essa é uma política de Estado, não de governo”, declarou Beltrame.

O projeto é ambicioso e tem como metas para o futuro chegar a favelas tidas como quartéis do crime, como os complexos do Alemão e de Manguinhos. “Nós sabemos onde queremos chegar e vamos chegar ao Alemão. Sabemos que a região é complicada, mas temos que cumprir nosso projeto e mostrar os resultados para a sociedade”, disse o secretário, sem fixar prazos.

(*com reportagem de Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro)

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