Polícia conclui ocupação em nove favelas no Rio

Operação que começou às 6h deste domingo levou cerca de uma hora e não enfrentou resistência do tráfico

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

JADSON MARQUES/AE
Moradores observam blindado do Exército durante a ocupação no Complexo do São Carlos, no Rio

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro levou menos de uma hora para concluir a ocupação em nove favelas da região central da cidade, nos bairros do Estácio, Rio Comprido e Santa Teresa. Por volta das 4h deste domingo, 846 homens das polícias Civil, Militar e Federal começaram a se posicionar em 48 pontos de acesso às favelas. Às 6h, o grupo tático entrou nas comunidades e, sem disparar um tiro sequer, concluiu a ocupação em menos de uma hora.

Apoiaram a operação 17 blindados da Marinha e quatro da PM. Três helicópteros da polícia fazem o sobrevoo na região, mas o “caveirão do ar”, novo blindado da PM, não fez sua estreia durante a megaoperação.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou que o aviso prévio sobre a ocupação da polícia nas favelas em processo de pacificação na cidade é estratégica e não atrapalha o planejamento das operações. A meta, segundo ele, é ocupar as comunidades e acabar com o poder de ação dos traficantes. "Objetivo é o território. Prisões e apreensões serão feitas. Se acontecerem, ótimo. Se não acontecerem, a população estará livre de fuzil e da atuação desses marginais", afirmou.

O secretário, no entanto, afirmou que o fato de os criminosos - sobretudo os apontados como os chefes do tráfico nessa região - terem fugido continuará sendo investigado. "É bom que se fale que quando esses marginais saem da comunidade, eles não estão em número muito grande porque não são todos que conseguem guarida. É preciso ter conhecimento dentro da facção para que a pessoa seja recebida nesses locais", disse Beltrame. "Os que ficam são os operários do tráfico que continuam no crime miúdo e a polícia, uma vez presente, consegue fazer seu trabalho sem tirar a vida de inocentes", garantiu.

O centro de comando e controle das operações foi montado na sede do batalhão de choque da capital. O local fica a cerca de 30 metros da "passarela do samba" carioca, para onde são levadas as pessoas que forem presas ao longo da operação. No mesmo local a corregedoria da PM instalou uma base para receber possíveis queixas de moradores sobre a atuação dos policiais que participam da ação.

JADSON MARQUES/AE
Polícia não encontrou resistência para ocupar Complexo do São Carlos

De acordo com a Secretaria de Segurança, estas UPP´s devem beneficiar diretamente 26 mil moradores das nove favelas e 520 mil pessoas que moram e transitam diariamente pelos 17 bairros localizados no entorno das áreas pacificadas.

A partir desta segunda, ocupação será mantida com metade do efetivo

De acordo com o coronel Lima e Castro, Relações Públicas da Polícia Militar, a partir desta segunda-feira (7) 400 policiais garantirão a ocupação das nove favelas. Segundo ele, agentes civis e federais começarão a cumprir mandados de prisão nas comunidades. Ele acrescentou que o apoio logístico da Marinha não será mais necessário e que os 150 fuzileiros navais e 13 veículos blindados que garantem apoio logístico à operação deixaram a localidade.

O planejamento inicial da Secretaria de Segurança Pública do Rio prevê a instalação de três Unidades de Polícia Pacificadora (UPP´s) nas favelas do Estácio, Rio Comprido e Santa Teresa. Ao todo, 636 homens farão patrulhamento na região, sendo 200 praças, 30 graduados e 6 oficiais. A secretaria estuda a possibilidade de a UPP começar a funcionar em um mês.

Marcos de Paula/AE
Policial militar exibe réplica de fuzil apreendido durante a ocupação do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa

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