Polícia Civil prende quadrilha no Rio por agiotagem

Segundo investigadores, acusados chegavam a lucrar R$ 1 milhão por mês; operação foi desencadeada após dez meses de investigação

iG Rio de Janeiro |

Sob juros de até 48% por cento uma quadrilha de agiotas que agia no Rio de Janeiro obtinha lucros que beiravam a cifra de R$ 1 milhão por mês, informou nesta quinta-feira (27) o delegado Nilton Fabiano, da 19ª DP (Tijuca). Pelo menos 12 pessoas foram presas durante operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje. A ação visava cumprir 18 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão e desarticular o grupo.

Entre os presos estão o homem apontado como chefe do grupo, um outro homem considerado seu braço direito, uma mulher que seria responsável pela movimentação financeira da quadrilha, dois policiais militares, além de funcionários e cobradores. Na casa de um dos suspeitos, os agentes acharam R$ 835 mil.

Agência O Globo
Policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de um dos integrantes da quadrilha. Encontraram um Chevrolet Montana e um Toyota Corolla no local
Com os presos a polícia apreendeu joias, celulares, além de celulares, documentos que mostravam a contabilidade dos acusados, e cofres que só serão abertos por peritos da Polícia Civil. Quatro veículos também foram apreendidos, entre eles uma BMW que pertencia ao usurário apontado como chefe do grupo. Os suspeitos vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra a economia popular e extorsão.

Operação Shylock

Por conta do modo de atuação da quadrilha, a polícia batizou a operação de Shylock, um agiota interpretado por Al Pacino no filme "O Mercador de Veneza" - inspirado na peça escrita por William Shakespeare.

O delegado Nilton Fabiano explicou que a primeira abordagem da quadrilha era na rua, por panfletagem oferecendo dinheiro rápido. Ao chegar ao escritório, a pessoa fornece dados pessoais e bancários, que passam por uma análise, e, geralmente, é autorizado o empréstimo.

Ao não pagar, a pessoa entrava em uma “lista de devedores” e, em um primeiro momento, as cobranças eram feitas de forma branda. Ao longo do tempo, as ameaçavas começavam, não só às vítimas, mas a família e pessoas próximas. Os bandidos chegavam a entrar na casa dos “devedores” e pegavam objetos de valor.

Como exemplo, o delegado citou uma vítima que adquiriu um empréstimo de R$ 290 e pagou R$ 96 por mês durante dois anos, desembolsando no total de R$ 2.304. Mesmo assim, ao parar de pagar, continuou sendo ameaçada de morte pelos criminosos, mostrando que eles sempre tinham uma forma de não encerrar a dívida.

O delegado titular da 19ª DP ressaltou que o grupo foi totalmente desarticulada nesta operação. “Agora, nós temos essa quadrilha com a espinha dorsal quebrada, isso quer dizer que não vai mais se movimentar, está fora de circulação”.

Ao todo policiais de 31 delegacias, além de duas equipes da Corregedoria Geral Unificada (CGU), saíram às ruas atrás dos acusados.

Para prender a quadrilha, os policiais percorreram bairros nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e da Baixada Fluminense onde os agiotas possuem casas e escritórios.

A chefe da Polícia Civil do Rio, delegaga Martha Rocha, afirmou que a ação foi um marco no combate à agiotagem no estado.

"“Ao longo desses meses começamos a observar do que se tratava a questão da agiotagem e iniciamos um novo estudo para saber como tipificar esse crime. Essa operação é um pontapé inicial de combate a uma grande rede”, disse.

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