Polícia afirma novamente que tiroteio em São Conrado foi casual

No sábado, um dos policiais que participou da ação disse ao iG que operação ocorreu a partir de informante

iG Rio de Janeiro |

Dois dias após a troca de tiros entre policiais militares e traficantes da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, ainda há dúvidas sobre as circunstâncias do enfrentamento. No embate, uma mulher que teria envolvimento com o tráfico foi morta e quatro policiais ficaram feridos. A ação terminou com dez traficantes presos que fizeram 35 pessoas reféns por duas horas.

A versão oficial da polícia militar não coincide com o depoimento de policiais que participaram do tiroteio com traficantes.

Ainda no sábado, cerca de uma hora após o tiroteio, um soldado do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 23°BPM (Leblon) afirmou ao iG que a ação havia ocorrido a partir da denúncia de um informante. “Nós recebemos a informação às 5h30 da manhã de que o chefe do tráfico do morro do Urubu estaria comemorando o aniversário no Vidigal, junto com traficantes da Rocinha. A partir disso começamos um patrulhamento nas imediações do Vidigal para tentar prendê-los”, disse o policial, que não quis se identificar.

O traficante a que ele se referia era Jéferson do Nascimento Ferreira, conhecido como Fefo, e que na última sexta-feira (20) completou 30 anos. A comunidade da Rocinha e o morro do Vidigal são vizinhos em São Conrado e possuem o mesmo grupo criminoso que domina o tráfico de entorpecentes no morro do Urubu, na zona norte da cidade.

Vicente Seda
Policial mostra granada e moto (perfurada por um tiro de fuzil) após confronto com traficantes. Ele afirmou no sábado que ação ocorreu a partir de denúncia
Apoiado em uma moto que estava perfurada por um tiro de fuzil e que fora usada por um dos homens da Rocinha que havia fugido, o soldado concluiu. “O tiroteio começou quando uma viatura do batalhão se deparou com o bonde e nos chamou. O GAT chegou em cinco minutos e foi muito tiro, cerca de meia hora”.

O GAT, que é uma equipe de 12 homens do próprio batalhão direcionada para combates urbanos, estava nas imediações de onde ocorreu o tiroteio, segundo o soldado, à procura dos traficantes que estavam no Vidigal.

Ainda de acordo com o policial, os quatro PMs que começaram a troca de tiros faziam patrulhamento de rotina mas estavam em alerta pois sabiam da informação passada ao grupo de ações táticas.

No entanto a versão do soldado foi contestada por oficiais da corporação batalhão logo depois.

Nesta segunda-feira, o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Leitão, ratificou a versão oficial da corporação: que o encontro entre policiais e traficantes em São Conrado foi casual e que a PM não tinha nenhuma informação de que criminosos da Rocinha estariam reunidos no morro do Vidigal.

“Foi o momento que definiu a ação. Não havia nada, nenhum informe (sobre a presença de traficantes e do chefe da Rocinha, Nem, no Vidigal). A única informação que tínhamos era que haveria o aniversário de um traficante do morro do Urubu e, assim todas as unidades perto de morros dessa facção reforçaram o policiamento. Eram duas patrulhas fazendo policiamento juntas, que se depararam com os traficantes”, disse o oficial.

"Foi um ato de heroísmo. Porque (se os policiais não tivessem agido) hoje eu teria que justificar o motivo de um grupo de pessoas armadas passarem em frente a uma viatura sem fazer nada", disse o comandante.

Para o tenente-coronel, a versão de que haveria 12 policiais militares para fazer uma emboscada para Nem é “inverossímil”.

* Reportagem de Raphael Gomide e Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro

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