PMs que liberaram motorista são transferidos para unidade prisional

Justiça Militar decretou prisão preventiva dos policiais suspeitos de cobrarem propina para não apreenderem carro que atropelou Rafael Mascarenhas

Bruna Fantti e Daniel Gonçalves, especial para o iG |

Os PMs acusados de cobrar propina para liberar o motorista que atropelou o música Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimarães, foram transferidos no início da madrugada desta quarta-feira para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Benfica, zona norte do Rio de Janeiro. Eles tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar nesta terça-feira (27) . O sargento Marcelo Leal e o cabo Marcelo Bigon estavam detidos administrativamente no 23º BPM (Leblon). Roberto Bussamra, pai do atropelador Rafael Bussamra, afirmou em depoimento que pagou R$1 mil para os PMs, que teriam pedido inicialmente R$10 mil, para que os militares não apreendessem o veículo.

A promotora Isabella Lucas do Ministério Público (MP) Estadual pediu a prisão dos PMs por crime militar, atendendo à requisição da Corregedoria Interna da corporação. De acordo com o MP, os policiais poderiam pôr em risco a investigação, "principalmente porque os envolvidos recentemente disseram que se sentem intimidados". Também foram levados em consideração os depoimentos do pai do atropelador e de seus dois filhos, Rafael e Guilherme, além das imagens da CET-Rio na saída do Túnel Acústico, na Gávea, onde o filho de Cissa Guimarães foi atingido, e dos dados do GPS da viatura.

O cabo Marcelo Bigon foi solto no fim da tarde desta terça-feira após expirar o prazo de 72 horas da prisão administrativa. A Polícia Militar informou que Bigon e Leal não voltariam para as ruas e fariam trabalhos internos. Contudo, eles continuarão presos após a decisão da Justiça Militar.

Rafael Mascarenhas morreu atropelado na madrugada de terça-feira (20) quando andava de skate no Túnel Acústico. Ele foi atingido na pista sentido Gávea, que estava interditada para manutenção. Ontem foi realizada a missa de sétimo dia da morte de Rafael Mascarenhas na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

Atropelador diz que manobra de skate causou acidente

O estudante Rafael Bussamra disse nesta terça-feira que o rapaz fazia uma manobra de skate com a curva muito aberta e, por isso, não foi possível frear o carro. A afirmação, segundo a polícia, foi feita durante reconstituição do acidente no fim do Túnel Acústico. A reconstituição ocorreu durante toda a madrugada e foi baseada nos depoimentos de seis pessoas, entre envolvidos e testemunhas. Um skatista, amigo de Rafael, o representou.

Para concluir o inquérito, a Polícia Civil aguarda os laudos das perícias do carro do atropelador e da reconstituição. Algumas contradições precisam ser esclarecidas, entre elas se Bussamra disputava um racha com os ocupantes de um Honda Civic guiado por um amigo dele.

*Com informações da Agência Estado

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