PMs envolvidos no caso Juan são denunciados

Eles são acusados de dois homicídios e duas tentativas de assassinato. Justiça analisa pedido de prisão preventiva

iG Rio de Janeiro |

Aline Custódio/Agência O Globo
Mãe mostra foto do menino Juan, de 11 anos, assassinato na favela Danon, em Nova Iguaçu
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou nesta quinta-feira (15) os policiais militares Isaias Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva. Eles são acusados de matar a tiros Igor de Souza Afonso, o menino Juan Moraes Neves, de 11 anos, e ferir outros dois jovens, em junho deste ano, na favela Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Todos estão presos e tiveram a prisão preventiva pedida ontem à Justiça.

Os PMs foram denunciados por dois homicídios duplamente qualificados e duas tentativas de homicídio duplamente qualificado, com as agravantes referentes ao fato de uma das vítimas ser menor de idade e a abuso de poder por parte dos agentes públicos.

A Promotoria requereu, ainda, que o Instituto Médico Legal (IML) apresente, no prazo de 72 horas, os originais dos laudos de necropsia e do laudo de exame de DNA de Juan. Entre outras medidas, também foi requerida a determinação para que todas as operadoras de telefonia informem os dados cadastrais do usuário responsável pelo número de celular que entrou em contato inúmeras vezes com os denunciados na hora do crime.

Histórico do caso

Segundo a denúncia, na noite do dia 20 de junho, os PMs Isaias Souza e Edilberto Barros atiraram contra as vítimas Igor de Souza Afonso, o menor Juan Moraes Neves, que morreram, e outras duas, que ficaram feridas, na saída de um beco.

De acordo com a denúncia, Ubirani e Rubens participaram dando “cobertura” à execução do crime. Juan tinha 11 anos na data do crime. O corpo do menino teria sido deixado por PMs às margens do Rio Botas, no município de Belford Roxo, o que está sendo investigado em outro inquérito, que também apura o envolvimento de outros PMs nos homicídios e a formação de quadrilha armada.

As promotoras Júlia Jardim e Adriana Lucas ressaltaram à Justiça que a decretação de prisão preventiva dos denunciados é necessária “não só para garantir a ordem pública sob o prisma da necessidade de preservar a credibilidade da instituição que presta relevante serviço à nação brasileira através da maioria de seus membros que honram suas fardas, mas também porque o povo brasileiro exige respostas e não aceita que seus cidadãos, incluindo jovens e crianças, sejam mortos sem qualquer chance de defesa por agentes públicos que agem ao arrepio da lei quando deveriam lhes proteger e que ainda recebem vencimentos pagos por todos.”

“O crime foi praticado por motivo torpe, pois os denunciados, imaginando que as vítimas eram traficantes de drogas, pretendiam executá-las, atividade típica de extermínio”, afirmaram as Promotoras no texto da denúncia.

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