PMs de São Gonçalo são denunciados por outro homicídio

Sete policiais tiveram a prisão decretada pela Justiça por assassinato de uma mulher

iG Rio de Janeiro |

O juiz em exercício da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Fabio Uchôa, decretou na última segunda-feira (26) a prisão preventiva de sete policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) acusados da morte de uma mulher no município.

Segundo a Justiça, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os PMs Alexandre Quintanilha dos Santos, Raphael Paulino da Silva, Carlos Adílio Maciel Santos, Leonardo Aguiar Muzer Rezende, Jovanis Falcão Junior, Alessandro dos Santos Silva e Diego Lima Jardim o crime de homicídio doloso qualificado pela morte de Valdira de Souza Godinho. O crime ocorreu no dia 8 de maio do ano passado, no Complexo de Favelas do Salgueiro, em São Gonçalo.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) não soube informar se, entre eles, há PMs que tiveram a prisão decretada também pela morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada no dia 11 de agosto.

Ontem, o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM, e outros cinco PMs tiveram as prisões temporárias decretada pela morte da magistrada. No início deste mês, a Justiça já havia determinado a prisão de outros três PMs pelo assassinato de Acioli.

'Não tem arrego, então tem bala'

De acordo com a acusação pela morte de Vandira, os policiais entraram em uma comunidade para extorquir os traficantes, mas, como não obtiveram sucesso, atiraram para todas as direções e causaram a morte da vítima. Para o juiz, há evidência de "desprezo pela vida humana e intensa perversidade".

Segundo o relato de uma testemunha, os policiais faziam incursões no local para receberem dinheiro dos traficantes ou, então, exigirem dinheiro de resgate dos criminosos que eventualmente prendiam na localidade. Essa mesma pessoa disse que um dos policiais teria dito antes de iniciar os disparos que "se não tem arrego, então tem bala".

A testemunha afirmou ainda ter ouvido de um dos acusados que era para matar todas as pessoas que estavam deitadas no chão, se protegendo dos disparos.

O juiz Fabio Uchôa fundamentou o decreto da prisão preventiva dos acusados na garantia da ordem pública e na necessidade de resguardar a integridade das instituições que dão suporte à existência de um Estado Democrático de Direito. Segundo o magistrado, os militares demonstraram total desequilíbrio emocional e incapacidade para exercerem as funções que ocupam.

"Os acusados são policiais militares, que deveriam exatamente zelar pelo cumprimento das leis, e não agir da forma como agiram, demonstrando total menosprezo pelo munus público que exercem e pelas normas penais e revelando-se propensos à prática delituosa, verdadeiramente utilizando-se de sua condição de policiais, para praticarem crimes gravíssimos, como os que lhes é imputado na presente ação penal", afirmou o magistrado.

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