PM que confundiu furadeira com arma é denunciado por homicídio

Policial alegou ter tido a impressão de que Hélio Barreira Ribeiro empunhava uma arma e atirou no fiscal de supermercados

iG São Paulo |

A promotora de Justiça Vera Regina de Almeida, da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público do Rio de Janeiro, denunciou por homicídio doloso (quando há intenção de matar ou assume o risco) o PM Leonardo Albarello, que no dia 19 de maio, durante operação policial no Andaraí, atirou contra o fiscal de supermercados Hélio Barreira Ribeiro que, no alto de uma escada, manejava uma furadeira no terraço de sua casa para instalar um toldo.

O policial alegou ter tido a impressão de que Hélio empunhava uma arma. A denúncia foi apresentada ao Juízo da 4ª Vara Criminal.

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança lamentou a morte "de um inocente durante a ação da polícia" e informou que o governo vai oferecer assistência psicológica e o pagamento de uma pensão à família da vítima, além de providenciar o enterro do corpo.

A tragédia

A casa de Hélio fica localizada na rua Ferreira Pontes, em um dos acessos ao Morro do Andaraí, onde o Bope realizava uma operação para localizar traficantes do Morro do Borel que estaria escondidos na comunidade. Por volta das 11h, o cabo Leonardo Albarello confundiu a furadeira com uma arma e disparou contra o fiscal de supermercados a uma distância de aproximadamente 40 metros.

A vítima foi atingida de frente e a bala atravessou o tórax. Hélio chegou a ser encaminhado para o Hospital do Andaraí, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O fiscal utilizava uma furadeira elétrica com fio que mede cerca de 24 centímetros.

O comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique de Moraes, classificou a ação como um "erro", mas disse que o policial pode ter disparado porque, "na avaliação dele, tudo indicava que era uma arma" e era necessário "proteger a equipe". Ele disse que o cabo será submetido a tratamento psicológico e afastado de operações nas ruas.

O Bope vai instaurar um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ação e avaliar os resultados. A corporação informou que o agente está há 12 anos na PM e 10 na Tropa de Elite e nunca teve desvios de conduta.

A delegada responsável pela investigação, Leila Goulart, disse que o cabo admitiu ter confundido a furadeira com uma arma de fogo. "O inquérito investiga o homicídio como doloso porque ele teve a intenção de atirar, mas houve um erro", afirmou.

* com informações da Agência Estado

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