PM nega que recentes roubos a motoristas sejam arrastões

Segundo a polícia, ações são eventos isolados e não há ligação entre os recentes roubos no trânsito promovidos por grupos

Bruna Fantti, especial para o iG |

A assessoria da polícia militar negou ao iG , nesta quinta-feira (7), que os recentes roubos no trânsito promovidos por grupos na zona sul e zona norte nas últimas 24 horas sejam arrastões. Para a corporação, os crimes seriam uma nova modalidade de roubo a carros. Segundo uma nota enviada a reportagem, “os crimes noticiados nos últimos dias são crimes de roubo de veículos. Estes crimes, a rigor, têm carregado uma metodologia nova em que os seus autores roubam um veículo e aproveitando a oportunidade se apoderam dos pertences das pessoas que estejam nos veículos mais próximos”.

Independente da definição, após os últimos três episódios similares ocorridos entre a noite da última terça (5) e quarta-feira (6), o policiamento foi reforçado com até três viaturas nas saídas das principais vias expressas da cidade, além do uso de motocicletas, de agentes do batalhão de choque e do uso da companhia de cães. Um policiamento aéreo também será feito com helicópteros nas regiões com maior incidência de assaltos.

Além dessas medidas, nesta quinta-feira (7) foram trocados 12 comandos de batalhões e outras 5 unidades, como o Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praças. De acordo com a corporação, essa é uma forma de “oxigenar as políticas de segurança nos locais e já estava sendo programada”.

No entanto as trocas dos comandos dos batalhões de Botafogo (2°BPM) e do Leblon (23°BPM) teriam sido motivadas pelos recentes arrastões – um na noite de quarta-feira, em Laranjeiras, zona sul da cidade, e os outros dois no Elevado Paulo de Frontin, uma das vias que liga a zona norte à zona sul.

O Diretor de Polícia da Capital, Ronaldo Oliveira, afirmou nesta quinta-feira que "não há orquestramento entre os grupos que promoveram os assaltos".

Para o cientista político da Uerj, Geraldo Tadeu Monteiro, o reforço de segurança nesses locais “é um cobertor curto pois outras áreas devem ficar sem policiamento, facilitando novos crimes”. Ainda segundo Monteiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) poderiam ter relação com o aumento dos últimos roubos. “O fato é que as UPPs são contemporâneas do aumento desses roubos. Só nesse ano já foram mais de 30 arrastões noticiados pela imprensa. Claro que não se pode afirmar, cabe à polícia civil investigar, mas acredito que não seja só coincidência”.

O coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF, Eurico Figueiro, acredita que a polícia do Rio de Janeiro possui “uma cultura de prisão a qualquer custo”. Figueiredo afirma que o número de balas perdidas e os erros policiais corroboram com sua teoria. “A doutrina policial deveria ser de proteger o cidadão, até com o custo da própria vida. Mas o que vemos são ações não planejadas, tiroteios urbanos, e falta de treinamento como o que vitimou um juiz e sua família em uma blitz, na semana passada”, disse.

Balas perdidas

O ISP (Instituto de Segurança Pública) divulgou, nesta quarta-feira (6), um estudo comparando o primeiro semestre de 2010 com o mesmo período do ano anterior, em relação a vítimas de balas perdidas. Apesar da queda do número total de vítimas ter reduzido (em 2010 foram 84 contra 103 pessoas em 2009), as vítimas fatais aumentaram de 4 para 11 no período avaliado.

Para Figueiredo, os números mostram que existe a necessidade de se mudar a política de segurança como um todo. “O ideal é um plano integrado entre as polícias, com planejamento. A polícia militar, além de aumentar o efetivo e melhorar sua cultura, deve saber o que a polícia federal faz, para assim, pensar em uma operação contra o tráfico de drogas, por exemplo”, afirmou.

A PM afirmou que até 2011 mais seis mil novos policiais estarão nas ruas.

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