PM investigado pelo desaparecimento de Juan, 11, já responde por homicídio

Policial é réu em processo por assassinato cometido em julho de 2008, em Nova Iguaçu. Menino está sumido desde o último dia 20

iG Rio de Janeiro |

Aline Custódio/Agência O Globo
Mãe mostra foto do menino Juan, de 11 anos, que desapareceu após ter sido supostamente baleado em confronto
Um dos quatro policiais militares que são investigados pelo desaparecimento do menino Juan, de 11 anos, responde a um processo na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por um homicídio ocorrido em julho de 2008, no mesmo município.

A criança sumiu após um confronto entre PMs e traficantes na favela Danon, em Nova Iguaçu, na noite do último dia 20. Na ocasião, um suspeito morreu, o irmão de Juan, W. M. de 14 anos, e um jovem de 19 anos (Wanderson dos Santos de Assis) foram baleados.

O caso começou a ser investigado porque o irmão de Juan, que permanece internado, contou ter visto o garoto baleado e caído no chão. O jovem de 19 anos também está hospitalizado.

O PM acusado de homicídio, o cabo Edilberto Barros do Nascimento, chegou a ficar preso entre julho e setembro de 2008 mas acabou solto. O Conselho Disciplinar da corporação julgou que ele não era culpado e o manteve nos quadros da Polícia Militar. Além de Edilberto, outros três PMs também respondem pelo homicídio de 2008 e, assim como ele, estão em liberdade.

Agora, após o sumiço de Juan, Edilberto e os outros três policiais que são investigados pelo sumiço do garoto foram afastados do patrulhamento das ruas e realizam serviços internos em DPOs (Destacamentos de Policiamento Ostensivo) na Baixada Fluminense.

Reginaldo Pimenta/Agência O Globo
Faixa com foto de Juan em frente da sede da Assembleia Legislativa
Surpresa

O fato de Edilberto responder a um homicídio pegou de surpresa o comandante do 20º BPM (Mesquita), tenente-coronel Sérgio Mendes. O oficial disse, no entanto, que não há "nenhuma norma" que determine que um policial acusado de homicídio seja afastado das ruas.

"Há um processo mas ele ainda não foi condenado. Por enquanto, há a premissa da Justiça de que todos são inocentes até que se provem o contrário. Não podemos dizer ainda que o policial é culpado pelo homicídio anterior nem que esteja envolvido no desaparecimento do menino", disse o oficial.

Segundo informações da Polícia Civil, os PMs investigados pelo sumiço de Juan disseram não ter visto o menino baleado. De acordo com um agente, o irmão dele e o jovem de 19 anos foram atingidos pelas costas.

A perícia feita em viaturas da PM que faziam patrulhamento na região no dia do crime encontrou sangue. Será feito um novo exame para saber se o material é do menino desaparecido. Peritos acharam no interior da comunidade Danon cápsulas de balas para fuzil e um chinelo manchado por sangue. O material também será analisado.

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