PM inocenta policiais por sumiço de engenheira

Patrícia Amieiro desapareceu em junho de 2008 na zona oeste do Rio de Janeiro

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

O Inquérito Policial Militar (IPM) realizado para investigar a suposta participação de quatro soldados do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) no desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro Franco não reuniu indícios que comprovem o envolvimento dos PMs no crime. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pela corregedoria da Polícia Militar. Patrícia, de 24 anos, desapareceu no dia 14 de junho de 2008 na saída do túnel Lagoa-Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A engenheira voltava sozinha de carro de um show na zona sul da cidade. Seu veículo foi encontrado no Canal Marapendi.

“Não encontramos nenhum fato ou dado que pudesse indiciar os policiais militares nessa atividade criminosa”, informou o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes. “O inquérito não tem por objetivo inocentar, tampouco condenar ninguém. Essa é tarefa da Justiça. O inquérito reúne dados e fatos que podem oferecer uma denúncia”, completou.

O resultado do IPM vai de encontro à investigação realizada pela Polícia Civil. Há um processo correndo na Justiça contra os quatros policiais militares do 31º BPM porque a Polícia Civil reuniu indícios de eles seriam os responsáveis pela morte e desaparecimento da engenheira. Willian Luís do Nascimento e Marcos Paulo Nogueira Maranhão respondem por homicídio e ocultação de cadáver. Já Fábio da Silveira Santana e Márcio Oliveira dos Santos respondem somente por ocultação de cadáver no 1º Tribunal do Júri.

Ameaças

De acordo com a corregedoria da PM, o inquérito foi aberto por causa de informações recebidas pelo Disque-Denúncia de que peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, envolvidos na investigação do desaparecimento de Patrícia, estariam sendo ameaçados de morte por policiais militares.

Segundo a PM, esse caso, por se tratar de um desvio de conduta de policiais, configura-se como um crime militar e, portanto, foi investigado pela corporação. O desaparecimento de Patrícia é de responsabilidade da Polícia Civil, mas acabou sendo apurado por associação. “Ameaçava-se alguém que estava investigando uma ocultação de cadáver. Por essa razão, a ocultação de cadáver entrou na investigação”, disse o coronel Ronaldo Menezes.

A corregedoria da PM informou que o inquérito foi aberto dez meses após o sumiço de Patrícia e demorou aproximadamente um ano para ser concluído. O documento será entregue ao Ministério Público Militar e poderá ter três destinos: ser devolvido à PM para que seja aperfeiçoado, arquivado caso o MPM entenda que não há subsídios para apresentar uma denúncia ou enviado à Justiça comum caso o MPM entenda que o documento é importante para solucionar o crime.

Enquanto o processo contra os policiais militares corre na Justiça, os agentes continuam trabalhando na área administrativa do 31 º BPM (Recreio dos Bandeirantes).

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