PM diz ter prendido um suspeito de ligação com morte de juíza

Segundo comandante do batalhão de São Gonçalo, suspeito foi visto no condomínio da vítima dias antes do crime. Delegacia nega

iG Rio de Janeiro |

Reprodução Facebook
Patrícia Acioli tinha 47 anos e foi morta quando chegava em sua casa, em Niterói
O comandante do batalhão de São Gonçalo (7º BPM), tenente-coronel Cláudio Luís de Oliveira, disse na última quinta-feira (18) que policiais da sua unidade prenderam um suspeito de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido no dia 11.

Segundo ele, trata-se do traficante Alex Sandro Costa da Silva, o Alex Orelhinha. O oficial disse ter recebido informações de que, dias antes do crime, Orelhinha foi visto nas proximidades do condomínio onde a juíza morava.

O criminoso foi preso no dia seguinte ao assassinato, no bairro de Trindade, em São Gonçalo. Havia um mandado de prisão por homicídio contra ele.

Encarregada das investigações sobre o crime, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil não confirma que Orelhinha seja suspeito. Segundo um policial ouvido pelo iG , ele não foi reconhecido por uma testemunha. O investigador não quis dar mais detalhes alegando que o trabalho é sigiloso.

De acordo com o comandante, a suspeita sobre Orelhinha recai também pelo fato dele responder a dois processos por homicídio qualificado que eram julgados por Patrícia Acioli. O criminoso segundo o oficial, é um dos chefes do tráfico no morro Menino de Deus, em São Gonçalo.

Homenagens

Divulgação/TJ-RJ
Missa de sétimo dia de juíza assassinada no Rio
A juíza recebeu uma homenagem ontem das associações dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj) e do Brasil (AMB). Foi feito minuto de silêncio em frente da sede do Tribunal de Justiça, no Centro da capital. Diversas autoridades usavam uma tarja preta no braço, em sinal de luto.

Logo após o ato, todos seguiram de mãos dadas pela Praça XV e participaram da missa de 7º dia, no foyer do Órgão Especial.

O presidente da Amaerj, desembargador Antonio Siqueira, disse que o crime foi perpetrado não só contra a magistrada, mas também contra todo o Estado de Direito.

“Os juízes estão abalados, mas não vamos nos acovardar. Cumpriremos nosso dever de combater o crime organizado. Usaremos esta fita até que os assassinos sejam presos; não vamos nos desmobilizar”, afirmou. Ele também disse que os magistrados estão organizando um grupo de estudo para enviarem propostas à Administração e ao Legislativo para garantir o trabalho e a segurança da magistratura.

Presente ao ato, a juíza aposentada Denise Frossard, que sofreu três atentados quando estava na ativa, também lamentou a trágica morte da magistrada. Segundo ela, os juízes não devem tolerar este ataque à democracia e aos cidadãos. “Eles devem atuar com mãos de ferro contra o crime organizado”, afirmou. Frossard foi responsável pela prisão de diversos integrantes da cúpula do jogo do bicho no Estado na década de 90.

Novo juiz

O juiz Fábio Uchoa, que desde o assassinato da juíza Patrícia Acioli assumiu a 4ª Vara Criminal de São Gonçalo junto com os juízes Alexandre Oliveira Camacho de França e Claudia Márcia Vidal, afirmou que sua função não é a de um justiceiro, mas de um magistrado:

"O presidente do Tribunal de Justiça me escolheu para assumir a vara porque considerou que eu tenho o perfil adequado. Não estou lá como um justiceiro, mas como um juiz que vai cumprir seu dever com serenidade e rigor, de acordo com a minha consciência, como sempre atuei em todos os meus processos. Quando entrei para a magistratura, eu fiz um juramento e vou continuar cumprindo-o em qualquer vara para onde eu for designado”, explicou o juiz.

A 4ª Vara Criminal de São Gonçalo possui hoje um acervo de 1.305 processos. Desses, de acordo com o magistrado, apenas dois dos que deverão ser julgados até o final do ano são referentes a grupos de policiais e ex-policiais envolvidos em crimes. Existem cerca de 50 processos envolvendo policiais que ainda estão em fase de instrução, relativos a autos de resistência não acolhidos pelo Ministério Público e pelo juiz e que, por isso, viraram processos. Todas as outras são ações normais que chegam a qualquer vara criminal com competência de júri.

O Tribunal de Justiça do Rio possui, em todo o Estado, 82 varas com competência exclusivamente criminal. Existem ainda outras 65 varas com atribuições diversas, incluindo a criminal. Além dessas, o TJRJ possui uma Vara de Execução Penal e uma Auditoria Militar, totalizando 149 serventias. Existem ainda sete Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Atualmente, existem 146.697 processos tramitando nas varas criminais, 24.120 de competência do júri e 111.733 nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, totalizando 282.550 ações. Em média, entram a cada mês na primeira instância 9.392 processos novos nas varas criminais e 1.699 nas varas com competência do júri. Nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher chegam mensalmente cerca de 7.650 ações. Na Auditoria Militar esse número é de 59 processos.

Apenas no mês passado, deram entrada no Tribunal de Justiça 9.748 processos nas varas criminais; 2.553 nos júris; 74 na Auditoria Militar e 7.758 nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Confira o vídeo sobre prisão de suspeito:

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Suspeito de ter assassinado juíza está preso há seis dias

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